Esporte

Brasil e África querem campanha antirracismo na Copa do Mundo

03/03/2010 12h04

Brasília – A cem dias do começo da Copa do Mundo de Futebol que ocorrerá na África do Sul, o Brasil se junta aos países africanos e propõe ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) a adoção de uma campanha mundial contra manifestações racistas no futebol e em outros esportes, seja entre atletas ou torcedores.

A proposta da campanha foi feita hoje (2) na Suíça pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH). Vannuchi que discursou na 13ª sessão anual do conselho que é o principal fórum intergovernamental da ONU para questões ligadas aos direitos humanos.

A expectativa de Vannuchi é que a campanha intitulada Um mundo de esportes livre do racismo e da descriminação, seja aprovada por todas as delegações internacionais que participam da sessão anual no Palácio das Nações, em Genebra, até o dia 26 de março.

“Infelizmente é no futebol que muitas vezes a manifestação do racismo acontece”, disse Vannuchi, em entrevista à imprensa. O ministro, no entanto, avalia que os esportes têm grande potencial de conscientização.

A campanha prevê que atletas e equipes façam declarações e divulguem mensagens, em faixas por exemplo, contra o racismo. “Isso vai formando uma compreensão no âmbito da família humana”, idealizou Vannuchi.

Além da campanha educativa, a proposta do Brasil e da África prevê que as associações internacionais de cada modalidade esportiva adotem formas de punição contra eventuais manifestações de racismo.

O ministro alertou que a crise financeira mundial tem servido de “desculpa” para manifestações racistas. “Facilita o trabalho dos racistas que começam a dizer que os empregos estão sendo disputados”.

Para Vannuchi, “o mundo dos direitos humanos é um mundo que não pode ter aversão ou horror à participação de migrantes. Os direitos humanos devem ser a soma, a união, a parceria entre muitas culturas diferentes”.

Além da campanha contra o racismo, Vannuchi manifestou a posição do Brasil de que as Nações Unidas adotem um tratado em favor do direito de pessoas idosos. “A ausência do tratado é uma grave lacuna. É preciso fechar essa lacuna tendo em vista as consequências do envelhecimento da população”, aconselhou durante o discurso.

Vannuchi também tratou da terceira edição do Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH 3) e agradeceu o apoio ao programa da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Agência Brasil)

   

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