Intervenção: Uma atitude decepcionante
04/07/2008
“Araguatins vive um momento de grande tumulto político. A Cidade já é conhecida regionalmente pelo acirramento político entre os blocos dominantes e dominados, portanto, neste processo político que se avizinha não será diferente”
Araguatins vive um momento de grande tumulto político. A Cidade já é conhecida regionalmente pelo acirramento político entre os blocos dominantes e dominados, portanto, neste processo político que se avizinha não será diferente.
O que mais apimenta o momento atual é uma instigada disputa que foi travada nos bastidores dos diretórios partidários, durante a definição dos candidatos. Disputa esta que já chegou aos balcões dos tribunais locais e estaduais com discussões diversas sobre o que é democrático? O que é legal? O que é legítimo? Este tripé de valores fará com que nos próximos dias seja decidida a situação política de Araguatins e escrita uma das mais curiosas páginas do momento político histórico da bela cidade.
Obviamente os blocos antagônicos argumentam em prol daquilo que têm como correto. O PMDB, instituição partidária devidamente estabelecida, com estatutos, normas e procedimentos previamente escritos, conforme manda um modelo democrático, está profundamente dividido. Esse partido político, que na época da ditadura foi um dos principais emblemas de resistência ao modelo torpe que se implantou em nossa nação nas décadas de 60 a 80, vê hoje seus líderes regionais praticarem atos ditatoriais, quando determinam de forma arbitrária e unilateral a dissolução de um diretório partidário municipal constituído há mais de 30 anos.
O debate de idéias deu lugar à força “política” bruta, se é que podemos chamar isto de política. O que houve no PMDB de Araguatins foi uma verdadeira usurpação de direitos políticos.
É notório que se vive no PMDB uma situação de divisão, com dois blocos: um em prol da candidatura do atual prefeito, Rocha Miranda; o outro bloco a favor de uma candidatura do PMDB autêntico, de alguém que viveu da militância tradicional da legenda.
Sabe-se que o atual prefeito mantém o direito de pleito garantido pela Constituição. Direito Constitucional este que deverá ser exercido não de forma obrigatória ou compulsória. Deve-se obedecer criteriosamente a lei eleitoral, que preconiza filiação prévia e vinculação a um partido que, em assembléia, deverá escolher o nome para representá-lo.
Sob o ponto de vista da democracia, será que pode um gestor amplamente legitimado pela população e pelo trabalho prestado como o prefeito atual de Araguatins, se dar o direito de insinuar ou propor a desintegração total de um partido que na história de Araguatins e do Brasil sempre foi um exemplo de resistência aos regimes totalitários? Por outro lado, pode esse mesmo gestor, legitimado pela população, ficar de fora de uma disputa política por causa de uma manobra de bastidores?
É legítimo que posicionamentos imediatistas possam inviabilizar um processo político que poderia transcorrer normalmente, dando oportunidade de escolha ao povo?
Há de se ressaltar que o processo judiciário, principalmente pelo respeito às instituições partidárias, ícones da democracia, pode sim dar oportunidade às massas esquecidas e até certo ponto rechaçadas pelo poder político local.
A quem o direito pertence? Talvez Araguatins não mereça uma política decidida, como se diz no dito popular, no “tapetão”, não pela capacidade de escolha de nosso povo, mas pela capacidade de articulação de alcova dos líderes políticos. Esses conceitos e estratégias precisam ser revistos.
Hoje, após a realização das convenções temos a situação esdrúxula do PMDB ter dois candidatos a Prefeito. Triste é fazer esta referência, mas isto faz lembrar a Arena 1 e Arena 2, quando dois candidatos situacionistas disputavam o poder com apoio da ditadura militar. Voltando ao caso de Araguatins, não se chegou ao consenso pelo diálogo; os caminhos foram abertos pela truculência e pela inflexibilidade.
Deveria ser entendido que a força de um poder político não é ilimitada e que a nossa democracia fincou marcos através de grandes líderes peemedebistas como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela entre outros com histórias de vida e lutas democráticas que devem pelo menos terem as suas memórias respeitadas. Por outro lado, as oportunidades políticas devem ser construídas e aproveitadas em cima de um planejamento prévio e não por um oportunismo imediatista e de conveniência. Não dá para terminar esse artigo senão lamentado o regresso do processo político de nossa cidade.
Eu falo por mim, mas tenho certeza que muitos cidadãos araguatinenses estão se sentindo envergonhados com um processo truculento, tão espúrio como esta intervenção no PMDB, jogando na sarjeta anos de lutas em favor da democracia, da pluralidade de idéias e do combate saudável em defesa do pleno exercício da liberdade política.
Alday Machado, Administrador e professor universitário