Barril de porcos

quinta-feira, 9 de novembro de 2017 às 12:25

*Marcos Milhomens

Médicos e fornecedores de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs) foram os principais atingidos pela Operação Marcapasso, deflagrada nesta terça-feira, 7, pela Polícia Federal no Tocantins.

Me senti, como a maioria esmagadora dos Tocantinenses, envergonhado. Perplexo. Bestificado.
Entenda como funcionava o esquema:
O plano de saúde pagava para o médico uma nota fiscal no valor X, só que o médico pagava para a empresa uma nota fiscal menor do que X; e essa diferença era o valor da propina. Médicos e representantes de empresas que vendiam produtos ortopédicos, cardiológicos, chamados de OPME. Estes equipamentos são usados em cirurgias de urgência, de risco, tanto cardiológicas, quanto ortopédicas, e são de alto custo.

Advinha quem pagava a conta?

Enojante né?

Mas não para por aí não.

No esquema, a promiscuidade com o poder público estadual é espantosa. O empresário Antônio Bringel, delator da Operação Marcapasso, contou ao MPF ter se reunido várias vezes com Brito Miranda, pai do governador, Marcelo Miranda (PMDB), e com uma lobista. Nesses encontros, diz o delator, o pai do governador afirmou que intercederia junto à SESAU (Secretaria de Saúde do Estado) para que houvesse liberação de créditos para a empresa de Antonio Bringel.

Enquanto isto no Hospital Geral de Palmas – HGP, pacientes aguardam há meses por cirurgias e ninguém “intercede” junto à Secretaria Estadual de Saúde.
O pai do Governador, Brito Miranda foi alvo de mandados de condução coercitiva e busca e apreensão da Operação Marcapasso e está proibido de acessar ou frequentar órgãos públicos estaduais.
É um barril de porcos.
Todo o desenrolar deste esquema que achincalha a saúde do Tocantins, me fez recordar de um poema musical de nome homônimo (Barril de porcos) mais ou menos assim:
“País de devoradores picaretas. Congresso de ladrões e de mutretas, toda essa merda acaba em carnaval.
Isso é uma vergonha!”
Saboreio a incompreensão dos que me cercam, testemunhando a queda dos que me detestam, E como um exército de um homem só tento me desfazer desse grande nó.

E o dilema é continuar ou virar pó.

Tenho raiva. E o meu corpo arde. Há uma chance, nada é tão tarde. Apesar de nadar entre mortos. Nesse imenso barril de porcos”

Definitivamente precisamos mudar tudo isto. Este sentimento desolador de frustração e decepção que nos assola, deve servir de combustível e força motriz para construirmos uma alternativa de mudança.

Só nos resta ter esperança que vamos virar esse jogo em 2018.

Marcos Milhomens, comentarista Político

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