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“A luta continua”, garantem líderes comunitários ao destacarem legado de Dona Raimunda Quebradeira de Coco

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Dona Raimunda morreu na última quarta-feira (7). Foto: Divulgação / Governo do Tocantins

Alan Milhomem / Voz do Bico

SÃO MIGUEL – Força, coragem, determinação, responsabilidade e capacidade de articulação. Essas foram algumas das marcas de Dona Raimunda Quebradeira de Coco destacadas por lideranças comunitárias do Bico do Papagaio. Eles garantiram que a luta vai continuar e destacaram o legado da líder e ativista política que morreu nessa quarta-feira (7), em casa, no povoado Sete Barracas, zona rural de São Miguel do Tocantins.

A presidente da Associação de Moradores do Assentamento Santa Cruz, em Esperantina, e segunda suplente de deputada federal, Cícera Soares, destacou que conheceu Dona Raimunda em 1983 juntamente com padre Josimo nas lutas no Bico do Papagaio. “Ela deixou um legado! Vestiu a camisa, defendeu a classe trabalhadora, as quebradeiras de coco que nem terra tinham para trabalhar. Ela também lutou pela reforma agrária e hoje nós temos muitos trabalhadores assentados e a gente reconhece esse trabalho dela”, disse.

Conforme Cícera, o legado da grande líder comunitária do Bico do Papagaio será o combustível para continuar na luta em defesa dos menos favorecidos e do povo do campo. “Agora fica a garra dela, a simplicidade dela, pois ela sempre foi muito simples. Conversava com as trabalhadoras e trabalhadores passando informação com simplicidade. A coragem dela a cada dia vai servir de luz na nossa vida para dar continuidade na luta”, ressaltou.

De acordo com Maria Senhora, presidente da Associação da Escola Família Agrícola do Bico do Papagaio, a defesa pela reforma agrária, os direitos das mulheres, a preservação do meio ambiente, o respeito aos povos tradicionais são bandeiras continuam com os ensinamentos da grande líder das quebradeiras de coco. “Fica um legado muito grande de Dona Raimunda e a luta não vai parar. A gente aprendeu a se organizar, a lutar, as mulheres a terem sua autonomia, e a luta vai continuar”, garantiu.

O caixão com o corpo de Dona Raimunda foi levado por populares até o cemitério. Foto: Paulo Palmares / Voz do Bico

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O prefeito de São Sebastião, Adriano Rodrigues de Moraes, que militou com Dona Raimunda quando integrava o Partido dos Trabalhadores (PT), disse que ela foi uma referência na luta dos trabalhadores rurais do Bico do Papagaio, principalmente as quebradeiras de coco. “O que fica é o legado dessa grande mulher que conquistou o respeito da sociedade brasileira e internacionalmente. A coragem e a determinação são marcas dela que vão ficar de exemplo, além da capacidade de defender seus ideais”.

O padre Raimundo Nonato, que coordenou a Pastoral da Terra na Diocese de Imperatriz (MA), disse que conheceu a líder comunitária por meio de padre Josimo e esteve com os dois em muitas ações na região em defesa dos trabalhadores do campo. “É uma perda para a região, pois Dona Raimunda foi uma lutadora mesmo quando a situação política no país era muito mais difícil. Ela foi pressionada, mas não se calou. Foi intimidada e não fugiu da luta e, por isso, deve ser um exemplo para nós e para as gerações futuras”, afirmou o religioso, destacando a necessidade de se formar novas lideranças no país.

Para o cantor, compositor e escritor Zeca Tocantins, Dona Raimunda deixa um legado muito grande e sementes que devem brotar nas novas gerações. O artista disse que a responsabilidade projetar o legado dela é todos nós, principalmente para as crianças.

“Tudo que ela pensava de luta política, de vivência humana, de cuidado com as pessoas vai ficar na mente das pessoas, principalmente, dos seus vizinhos e das pessoas que tiveram a felicidade de conviver com ela. Ela tinha uma visão além, era uma visão de mundo, de como as pessoas devem se comportar diante das situações políticas, culturais, sociais, e por isso foi considerada uma das mulheres mais importantes do mundo”, destacou Zeca Tocantins.

Morte

Raimunda Gomes da Silva, 78 anos, morreu no início da noites de quarta-feira (7), no povoado Sete Barracas, zona rural do município de São Miguel do Tocantins. Conhecida mundialmente como Dona Raimunda Quebradeira de Coco, a líder comunitária e ativista política morreu em casa vítima de problemas respiratórios e diabetes.

Devido a atuação na defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras da região do Bico do Papagaio, Dona Raimunda recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Tocantins e prêmios como o Diploma Mulher-Cidadã Guilhermina Ribeira da Silva (Assembleia Legislativa do Tocantins) e o Diploma Bertha Lutz (Senado Federal). Em 2005, integrou a lista mundial das mil mulheres que concorreram ao prêmio Nobel da Paz.

Dor e comoção de parentes e amigos marcaram o velório no Povoado Sete Barracas. Foto: Paulo Palmares / Voz do Bico
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