
“Meu pai vai ficar preso?”
A preocupação da vítima mostra sua confusão e inocência diante do abuso cometido pelo próprio pai. A pergunta é frequente em casos como esse, afirma a delegada Daniela Caldas, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Vulneráveis de Augustinópolis.
Todos os casos de violência sexual infantil (até os 14 anos de idade) denunciados entre o final de 2017 e julho de 2020 em Augustinópolis tiveram como autores pessoas próximas à criança: 71% foram cometidos por pais ou padrastos e 29% por tios ou vizinhos.
“Normalmente são pessoas em quem a família e a criança confiam”, explica a delegada, acrescentando que a mãe e a comunidade precisam ter uma atenção maior quanto ao assunto: “Proteger a criança é um dever da família e de toda a sociedade”.
Geralmente, quando o crime é denunciado, a vítima vem sofrendo violência já há algum tempo, por isso é fundamental que as mães estabeleçam uma comunicação aberta com suas crianças, incentivando-as a contarem qualquer comportamento indevido por parte de algum adulto. Essa é a melhor forma de combater o abuso.
Famílias nas quais existem problemas com uso de álcool e outras drogas, bem como situações de violência, são mais propícias ao surgimento de abuso sexual.
Prevenção
Algumas medidas devem ser tomadas para evitar esse tipo de violência:
– Apenas deixe a criança sozinha com alguém se essa pessoa já demonstrou ser inteiramente confiável. Infelizmente, o fato de ser pai, padrasto, irmão, tio ou vizinho não é suficiente, como apontaram os dados citados.
– Nunca deixe a criança dormir ou brincar na casa de alguém que você não conhece bem.
– Observe o comportamento dos amigos de seus filhos, principalmente se aqueles forem mais velhos que estes.
– Deixe claro para o pequeno que ele pode contar qualquer coisa para você, mas sem pressioná-lo. Reforce que com você ele está seguro e que não vai sofrer alguma consequência se denunciar um agressor. Oriente-o a fugir de situações indevidas, principalmente quando um adulto oferece algum presente ou pede que a criança guarde segredo.
Como identificar
Apesar de, na maioria dos casos, a vítima tenha medo de falar abertamente com a mãe ou professor sobre o assunto, ela dá alguns sinais de que algo errado está acontecendo. Em muitos casos, os assédios começam aos poucos, logo, é possível identificar ainda no início as seguintes mudanças:
– Queda no desempenho escolar
– Isolamento
– Agressividade
– Falta de apetite ou compulsão alimentar
– Desenhos relacionados a sexualidade ou violência
– Comportamentos ou curiosidade excessiva com relação a sexualidade
– Incômodo ao ser tocada
– Medo de ficar sozinha com uma determinada pessoa, medo de dormir sozinha.
– Hematomas no corpo
É comum que as crianças tenham dificuldade em denunciar o agressor por medo de causar uma ruptura na família. E por não terem coragem de falar, algumas sentem culpa, como se elas estivessem permitindo a violência. Por isso, os adultos devem ficar atentos.
Qualquer suspeita deve ser denunciada à polícia ou ao conselho tutelar. Os telefones dos Direitos Humanos (100) e da Central de Atendimento à Mulher (180) também estão disponíveis para esses casos. A denúncia pode ser anônima.
(Ionnara Lima – Voz do Bico)












