Voz do Bico

Entrevista exclusiva com perita medica legista que se voluntariou para cooperar no resgate dos corpos da queda da ponte entre TO e MA

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Drª Ana Cláudia de Melo Alencar. – Foto: Divulgação

ARAGUATINS – Drª Ana Cláudia de Melo Alencar, nascida em Goiânia há 44 anos, formada em medicina em Taubaté há 20 anos, servidora da polícia técnico científica do Tocantins há 15 anos. Especialista em Medicina Legal e Perícia Médica, pós-graduada em psiquiatria, pós graduanda em psiquiatria forense. Hoje trabalhando no IML de Araguatins, CAPS Araguatins e clínica particular.

Quem é a Drª Ana?
Além do que vocês colocaram, sou mãe solo, mãe de pet, neuroatipica, adoro café, rosas do deserto, ler, estudar, ficar em casa, meus amigos, família e desenho animado antigo.

De Goiânia para Araguatins, como foi essa trajetória?
Sou concursada do Estado desde 2009. Nesse período trabalhei em excelentes núcleos de medicina legal. Tive que me licenciar por motivo de saúde e fui transferida para o núcleo de Araguatins. Quando recebi alta vim para trabalhar, conheci a cidade, vi o por do sol mais bonito do Araguaia e foi paixão à primeira vista. Em poucos meses me mudei e aqui vivo na santa paz de Deus, com muita alegria e tranquilidade.

Por que Medicina Legal?
É uma especialidade jovem, porém um ofício milenar. Tem uma alta carga de stress, em especial mental, por lidar primariamente com a violência e a morte. Porém temos a oportunidade de cuidar, defender e consolar o ser humano em seus momentos de maior vulnerabilidade e sofrimento com toda nossa compaixão.

Quais as maiores dificuldades que a senhora enfrenta profissionalmente?
Acredito que os colegas médicos que atuam no interior, em especial do Norte e Nordeste do Brasil, vão concordar comigo: todos enfrentamos muitos desafios, com relação a recursos humanos, físicos e tecnologicos, além das próprias distâncias geográficas em si. Mas tudo isso é compensado quando se vive com um povo tão sincero, caloroso, descontraído e batalhador.

Como a senhora teve notícia da tragédia?
Creio que como a maior parte das pessoas, pelo celular através de um video do exato momento da queda da ponte. A partir do resgate do primeiro corpo, a chefia local prontamente entrou em contato comigo e mesmo não estando na escala me voluntariei a cooperar com as perícias dos corpos das vítimas.

Como estava o clima no centro de comando da tragédia?
Muita consternação, profunda tristeza e absolutamente todos os envolvidos fortemente empenhados em buscar soluções eficientes para cada desafio enfrentado.

O que pode nos dizer sobre a causa da morte das vítimas?
Poderia usar uma série de jargões e termos técnicos para montar um panorama do estado dos corpos, o popular mediquês. Mas não acredito que seja o momento para se falar sobre esse assunto.
É momento de cuidar, acolher, confortar e consolar os entes queridos das vítimas.
Com o passar do tempo podemos falar novamente sobre isso.

Algum fato lhe chamou a atenção no local da tragédia?
A união dos familiares enlutados me emocionou muito.
Assim como a movimentação intensa e a integração de vários setores e todas as esferas públicas, municipais, estaduais e federal.
É imperioso destacar o papel fundamental do excelentíssimo senhor governador Wanderlei Barbosa, e o trabalho impecável do senhor secretário de segurança pública Dr Wlademir Costa, senhor superintendente Edson Almeida, diretor do IML Dr Eduardo Godinho e chefes Rosildo e Hydelgardo.

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