Alan Milhomem / Voz do Bico
AUGUSTINÓPOLIS – Conforme as investigações da Polícia Civil e do Ministério Púbico Estadual na Operação Perfídia, que resultou na prisão de 9 dos 11 vereadores de Augustinópolis, os parlamentares Edvan Neves (Neguim da Civil) e Maria Luisa de Jesus (Luizinha) lideravam o esquema de recebimento de propina para aprovação dos projetos da prefeitura. Os dois parlamentares também eram os que recebiam maior valor do “mensalinho” pago aos vereadores.
“O denunciante afirmou que o “acordo” foi negociado, gerenciado e liderado pelo vereador Edvan Neves (Neguim da Civil), sendo que receberia vantagem indevida em patamar superior porque além de agregar força política, também exercia o cargo de policial civil. Da mesma forma, a vereadora Maria Luisa de Jesus (Luizinha), em razão da sua força política e ligações estreitas com o Palácio Araguaia, receberia valores mais expressivos”, destaca o juiz Jefferson Asevedo na decisão que determinou a prisão de 10 dos 11 vereadores de Augustinópolis.
Segundo a Polícia Civil, nove dos dez parlamentares já foram presos e estão na delegacia. Apenas Antônio Queiroz é considerado foragido. Segundo o delegado Thyago Bustorff, titular da Delegacia de Especializada em Investigações Criminais (Deic – Núcleo Araguatins), a polícia recebeu a informações de possível pagamento a vereadores de Augustinópolis para aprovação de projetos da prefeitura e há três meses investiga o caso.
“Esses valores eram proporcionais ao grau de influência de determinados vereadores, que variavam de R$ 1,5 mil a R$ 8 mil mês a mês em valores diferentes. O total que chegamos a apurar era cerca de 40 mil reais mensais todo pago aos vereadores para aprovação dos projetos vindos da prefeitura”, disse o delegado.
Ainda segundo o delegado, foi identificado que existia uma coação por parte dos vereadores para que os valores fossem pagos. “Vários trechos conseguimos identificar cobrança para aprovação da LOA, que foi necessário pagamento de quantia extra para aprovação dessa LOA, que eles disseram veemente que caso não fosse pago eles não votariam a LOA”, afirmou o delegado.
Thyago Bustorff disse também que, durante todas as investigações feita pela polícia, não foi obtido nenhuma informação de melhorias das condições da população da cidade de Augustinópolis. “Apenas focava no desvio de verba públicas e o povo ficava a mercê. Os representantes do povo estavam sem qualquer legitimidade na Câmara Municipal”, destacou.
Além da prisão temporária dos 10 vereadores, a Justiça determinou o afastamento dos parlamentares por 180 dias das funções públicas. Os suplentes devem assumir imediatamente as vagas na Câmara de Vereadores.
O que dizem as defesas
O advogado Fábio Alcântara, que representa Maria Luisa de Jesus do Nascimento (PP) e Wagner Mariano Uchôa Lima (MDB), afirmou só vai se posicionar após ter acesso aos autos do processo.
A advogada Cássia Cayres também informou que não teve acesso ao processo e não pode se manifestar neste momento. Ela representa seis vereadores: Ozeas Gomes Teixeira (PR), Francinildo Lopes Soares (PSDB), Antônio Silva Feitosa (PTB), Angela Maria Silva Araújo de Oliveira (PSDB), Antônio Barbosa Sousa (SD) e Edvan Neves Conceição (MDB).
