
Milhomens, 34 anos, é graduado em Publicidade e Propaganda e atua como comentarista político há 10 anos no Tocantins. Com mais de 100 artigos publicados com análises e conjunturas políticas, ele também é consultor de marketing político e especializado em campanhas eleitorais.
Veja a entrevista:
Voz do Bico – Com o acórdão do TSE, proferido neste dia 29, qual a leitura que o senhor faz do cenário político eleitoral hoje e nos dia que seguem até a eleição suplementar?
Marcos Milhomens – Esta decisão do TSE surpreendeu muita gente. Mas no meu ponto de vista, foi absolutamente republicana. Democrática. Deferiram todas as candidaturas e caberá ao povo eleger seu próximo governador. Ponto. Isto dito, algumas candidaturas obviamente apresentam mais musculatura eleitoral, o que também é natural em todos os processos eleitorais, mesmo com a atípica de uma eleição suplementar. Em síntese, o cenário está dramaticamente incerto. Só há uma convicção: haverá 2º turno.
VB – O senhor acredita que houve prejuízo para algum dos candidatos devido aos pedidos de impugnação?
MM – Acredito que o mais prejudicado tenha sido o ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB). TRE-TO indeferiu de forma quase unânime sua candidatura, estranhamente desconsiderou a imprevisibilidade de uma eleição suplementar, uma vez que os prazos constitucionais para desincompatibilização são em relação ao calendário eleitoral oficial, ou seja, outubro.
Não é razoável exigir que o candidato tenha uma bola cristal e adivinhe quando e em qual data um governador ou prefeito será cassado. Chega a ser constrangedor para o TRE-TO ter suas decisões alteradas pelo TSE. Foi assim também com a cassação do Marcelo Miranda. O TRE absorveu o ex-governador e o TSE cassou.
Com o indeferimento do TRE, Amastha sofreu um impacto negativo na sua candidatura, pois seu registro estava sub judice, com histórico do Tocantins de cassações e eleições judicializadas, o eleitor, sem sombra de dúvidas, ficou muitíssimo temeroso.
VB -Na sua concepção e em razão da situação que se encontra o estado, qual deve ser o perfil do futuro governador do Tocantins?
MM – Costumo sempre dizer que não há saída que não seja pela política. Se você estiver insatisfeito, participe e tente mudá-la. A negação à política é um erro crasso.
O perfil do próximo governador precisa ter duas premissas básicas: planejamento e competência. Quem estiver vendendo milagres, se autointitulando “salvador do Estado” está cometendo o primeiro erro original para depois perder a legitimidade, está mentindo para o eleitor. É preciso dizer a verdade, colocar o povo na jogada. Se a tarefa é hercúlea, que saibamos o grau da dificuldade.
Espírito público e equipe qualificada. Com este perfil, acredito que o Tocantins pode mudar. O milagre só acontece quando a gente vai à luta!
VB – A população está se aborrecendo com política…
MM – Vivemos um momento de total falta de credibilidade da classe política. Há inclusive um flerte, de uma parcela significativa da população, com regime autoritário. Precisamos ter clareza! Não dá para repetir os mesmos erros.
A situação em que nos encontramos é de total responsabilidade política, cabe também a política consertar o mau feito.
Não vai descer um anjo vingador do céu e resolver nossos problemas não, somos nós que resolveremos. Quem disse que a vida é fácil!?
VB – Entre os sete candidato algum com este perfil, com pulso para resolver?
MM – Sim! Há no mínimo dois candidatos com este perfil.
VB – Dentro da atual conjuntura e para exercer um governo de pouco mais de seis meses, o eleito tem de fato fazer o quê? Observando que logo em seguida teremos uma nova eleição e o eleito pode ir para reeleição.
MM – É flagrante o estado quase caótico em que nosso sistema vive hoje. Teremos uma eleição, 2º turno, pouco mais de 3 meses depois outra eleição e provavelmente outro 2º turno. Chega ser irreal.
O eleito precisa ter um plano emergencial de gestão. Montar um equipe tecnicamente preparada e ir à luta!
Este mandato tampão é de apenas 6 meses, sabemos que esta eleição norteará a eleição de outubro e dificilmente o eleitor mudará de candidato.
O momento é muito atípico. Qualquer avaliação mais precisa, é antes de tudo, um ledo engano. Como disse na resposta anterior, penso que estas eleições suplementares darão a direção para outubro. Sendo objetivo: quem ganhar agora, ganha em outubro.
VB – Mais alguma observação desta eleição?
MM – Gostaria de ressaltar apenas mais um detalhe que pode ser preponderante neste processo agora: as abstenções. Muita gente, mas muita mesmo, não tem a menor pretensão de ir votar domingo dia 03. Por vários motivos, entre eles estão absolutamente alheios ao processo.
Na eleição suplementar do Amazonas, ano passado, o número de abstenções, votos brancos e nulos, foi algo assustador. Quase 50%.
Tudo indica que o Tocantins repetirá este fenômeno. O que é uma tragédia. Não podemos desistir da democracia, tampouco do exercício democrático. Não deixe de votar! Analise as propostas, os perfis de cada candidato e exerça sua cidadania. Vote!