
TOCANTINÓPOLIS – “Escrevemos para que os outros vejam que existimos e saibam como temos nos construído; para convidá-los a juntarem-se a nós ou a outros que também existem nessas tantas unidades prisionais muitas vezes esquecidas”. Com essas palavras é apresentado o livro Andorinhas Reinventam a Prisão, produzido por detentos da unidade penal de Tocantinópolis e parceiros. A escolha do título do livro é em alusão ao dito popular “uma andorinha só não faz verão” e busca evidenciar a força que atividades educativas ganham no contexto prisional.
“O livro foi lançado e fica o registro de uma construção por diversas mãos e atores comprometidos em dar oportunidades de expressão do pensamento e da escrita, permitindo que as narrativas carcerárias alcancem outros contextos, pois representam um recurso fundamental como ação pedagógica e garantia de direitos, fomentando a liberdade do pensar. A gestão do Sistema Prisional do Tocantins acredita na união de esforços e abraça a política de educação e os projetos de extensão que favoreçam as atividades educacionais, com vista à emancipação dos apenados”, ressalta a gerente de Políticas de Assistência Educacional da Secretaria de Cidadania e Justiça, Marluce Oliveira.
O livro
Organizado por Rafael Caetano do Nascimento e por Aline Campos, o livro Andorinhas Reinventam a Prisão é composto por 65 textos. “Alguns são relatos de experiências, outros reflexões e há também histórias ficcionais escritas pelos homens que cumprem pena de privação de liberdade e participam do projeto”, conta Aline Campos.
O livro possui 335 páginas e foi dividido pelos seguintes temas: O Ar que Sustenta o Voo, Asas para Voar, Viver o Verão, Revoada de Andorinhas e Em Busca de Terras Firmes. O livro físico e o virtual podem ser adquiridos ou baixados de forma gratuita no site da editora Pedro e João Editores.
“Organizar o livro Andorinhas Reinventam a Prisão não foi simples, justamente por envolver uma gama grande de pessoas e textos com diferentes características. Porém, entendo que a potência desse livro está justamente em reunir tantas e diversas pessoas, reconhecendo igualmente o valor de cada uma delas para sua composição. Ao possibilitar a esse coletivo apresentar-se como autores e autoras de sua própria história, o livro nos une enquanto humanidade”, ressalta a Aline Campos.
(Seciju)