Decano do STF reforça denúncia sobre Operação Lava Jato e critica modelo petista para indicação do procurador-geral da República
Camila Alvarenga, do Opera Mundi: No programa 20 MINUTOS ENTREVISTAS de segunda-feira (13), o jornalista Breno Altman entrevistou o decano do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.
Analisando a Operação Lava-Jato e o Mensalão, o ministro concluiu que “o Brasil precisa repensar seu sistema de justiça”, pois, com esses dois processos, o país se aproximou de um modelo autoritário, segundo ele.
“Acho que nunca estivemos tão próximos a um modelo autoritário nos nossos 30 anos de democracia como na época da ‘República de Curitiba’, em que o juiz Sérgio Moro sempre tinha soluções heterodoxas. A concentração da Operação Lava Jato em Curitiba se revelou um grande equívoco porque empoderou um grupo que operava de maneira consertada”, defendeu.
Ele reconheceu que todo o sistema falhou, que foram usados métodos como a delação premiada “sem o devido controle” e que pessoas foram empoderadas “sem saber os limites do poder”, como foi o caso de Moro e Ricardo Janot, então procurador-geral da República.
“Montamos um sistema jurídico que passou a operar sozinho e manipular o sistema político, que já estava fragilizado, designando quem era ou não candidato e com combatentes de corrupção que, ironicamente, gostavam muito de dinheiro. A toda hora se alardeia que a Operação Lava Jato recuperou R$ 4 bilhões, mas R$ 2 bilhões iam ficar na Fundação Dallagnol. Nunca vi um advogado cobrar 50% de taxa de êxito. Isso é preocupante e chocante e deve ser corrigido”, enfatizou.
Para ele, o próximo governo deverá abordar o problema, por exemplo separando o trabalho do juiz, do Ministério Público e da Polícia Federal, para evitar contaminação “e conluio” entre juízes e procuradores.
(JORNAL DO BRASIL)