
A expectativa de crescimento da economia brasileira em 2020 caiu de alta de 1,68% para 1,48%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 23, pelo Banco Central (BC). Há quatro semanas, a estimativa era de crescimento de 2,20%.
Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB), de 2,50%. Quatro semanas atrás, estava no mesmo patamar.
A projeção, no entanto, está bem acima da feita pelo governo. Na última sexta-feira (20), a equipe econômica revisou a estimativa para o desempenho da economia em 2020 de alta de 2,1% para apenas 0,02%. Na semana passada, no comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que cortou a Selic em 0,5 ponto para 3,75% ao ano, o BC avaliou que a pandemia do novo coronavírus está provocando uma desaceleração significativa do crescimento global.
Em dezembro, o BC havia atualizado, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,80% para elevação de 2,20%. Uma nova estimativa será divulgada no RTI da próxima quinta-feira (26).
No início de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o crescimento do PIB em 2019 ficou em 1,10%. Em fevereiro, o BC informou que seu Índice de Atividade (IBC-Br) teve baixa de 0,27% em dezembro ante novembro na série com ajustes sazonais. Em relação a dezembro de 2018, houve alta de 1,28%.
No Focus agora divulgado, a projeção para o crescimento da produção industrial de 2020 passou de 1,63% para 1,00%. Há um mês, estava em 2,33%. No caso de 2021, a estimativa de crescimento da produção industrial permaneceu em 2,50%, igual a quatro semanas antes.
A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2020 foi de 56,50% para 56,55%. Há um mês, estava em 55 80%. Para 2021, a expectativa foi de 57,80% para 57,95%, ante 57 70% de um mês atrás.
Resultado primário
O Focus trouxe ainda revisão na projeção para o resultado primário do governo em 2020. A relação entre o déficit primário e PIB este ano passou de 1,15% para 1,20%. No caso de 2021, foi de 0,56% para 0,53%. Há um mês, os porcentuais estavam em 1,10% e os mesmos 0,53%, respectivamente.
Na semana passada, o Congresso Nacional aprovou decreto que reconhece estado de calamidade pública no País, o que suspende a obrigatoriedade de o governo cumprir a meta fiscal de 2020.