Voz do Bico

‘Ele é enorme e aterrorizante’, diz jornalista ao visitar tigre que matou jovem, após reabertura de zoo inglês

Foto: Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal

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Homem morre ao entrar em recinto de tigre em zoo na Inglaterra — Foto: Reprodução/X

O zoo onde um tigre-siberiano matou um visitante em 10 de outubro foi reaberto seis dias depois da tragédia. O jornalista Chris Riches foi um dos primeiros a entrar no Yorkshire Wildlife Park, perto de Doncaster (Inglaterra), na última sexta-feira (16/10).

“Havia um silêncio inquietante na entrada do zoológico, que ocupa uma área de cerca de 60 hectares, às 9h45, momento em que o parque finalmente reabriu, seis dias após William Chapman, que tinha 24 anos e sofria de esquizofrenia, ter entrado no recinto para confrontar Altai, um tigre-siberiano”, disse o jornalista, de acordo com o “Daily Star”.

Apesar da atmosfera tensa, ele acrescentou que os funcionários foram educados e profissionais, mesmo diante da repercussão internacional que a morte de William gerou.

Chris Riches na ‘Terra dos Tigres’ no Yorkshire Wildlife Park, perto de Doncaster (Inglaterra) — Foto: Reprodução

“Os funcionários foram gentis e pareceram gratos pela visita. Talvez temessem que a repercussão global da tragédia, que chegou a motivar a criação de memes cruéis, inclusive envolvendo Donald Trump, afastasse o público. Enquanto o sol aquecia as instalações, que são notavelmente modernas e bem estruturadas, o fotógrafo Andy Stenning e eu caminhamos por cerca de 10 minutos até o recinto dos tigres, localizado no coração do zoológico”, relatou Chris.

O jornalista declarou que esperava encontrar o recinto de Altai na “Terra dos Tigres” interditado “para permitir que a comoção em torno do ataque fatal diminuísse antes que o público voltasse a ver Altai”.

“Não demorou muito para que eu avistasse Altai saindo do seu recinto coberto, segurando um enorme pedaço de carne crua entre suas mandíbulas temíveis. Ele é enorme e aterrorizante. É impossível sequer imaginar o medo que William Chapman deva ter sentido, independentemente de seus problemas de saúde mental”, comentou ele.

William compartilhou um vídeo no Instagram minutos antes de morrer, enquanto caminhava em direção a Altai.

Altai, de cerca de 190 kg, é classificado como “muito calmo” por tratadores. Originário de zoológico norueguês, Altai foi recebido no zoo em fevereiro de 2025, para fazer companhia à fêmea Tschuna como parte de um programa europeu de reprodução de espécies ameaçadas de extinção, segundo o site oficial do parque. Tschuna havia chegado ao zoo em 2013 e deu à luz três filhotes em 2015. O habitat “Land of the Tigers” (Terra dos Tigres) do parque, com cerca de 8.000 metros quadrados, conta com áreas arborizadas, campos e um lago com cachoeira.

Altai com tratadora no Yorkshire Wildlife Park — Foto: Reprodução/Yorkshire Wildlife Park

Um dia após a tragédia, a direção do zoológico afirmou que não iria submeter o felino à eutanásia, dando fim a polêmica em redes sociais, em que muitos sugeriram que o animal fosse sacrificado. Carole Baskin, estrela da série documental de true crime “Tiger King” e ativista pelos direitos dos animais, defendeu a decisão e afirmou que o tigre-siberiano que matou o jovem de cerca de 20 anos “não estava fazendo nada errado”.

“Ele é um felino enorme e lindo, muito calmo e receptivo. Os seus cuidadores no Dyreparken (zoo na Noruega, de onde ele veio em 2025) claramente fizeram um ótimo trabalho com ele. Vai levar algum tempo para ele se adaptar ao parque, já que é uma grande mudança, mas espera-se que ele já esteja na área ‘Land of the Tiger’ nas próximas semanas”, disse na chegada do tigre, Charlotte MacDonald, diretora de Animais do zoo.

Na época, Altai foi descrito como um “tigre simpático e calmo” que “adora o treinamento e a hora de comer, e gosta especialmente de brincar na água, ao ar livre”.

Nenhuma variação no seu comportamento desde então foi observada pelos tratadores, que disseram “ter feito tudo o que podiam” para evitar que visitante de zoo fosse morto por Altai.

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