Voz do Bico

Jovem chamada de ‘dramática’ por faltar a academia e evitar esforços físicos descobre insuficência cardíaca

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Marina Jones no hospital — Foto: Marina Jones

Durante a infância e a adolescência, a Marina Jones era chamada de “dramática” por amigos e familiares, pois evitava subir escadas, faltava à academia e fugia de qualquer esforço físico. Mas, aos 22 anos, descobriu que seu drama tinha uma causa “grave”: a jovem foi diagnosticada com insuficiência cardíaca provocada por hipertensão pulmonar.

Os sinais estavam presentes desde cedo na vida da jovem. Aos 7 anos, Marina enfrentava dificuldades nas aulas de ginástica. Muitas vezes, chegava atrasada de propósito para escapar dos aquecimentos. No ensino fundamental, chegou a ser dispensada das aulas de educação física por não conseguir correr.

“Lembro-me de ir até meu professor de educação física e dizer: ‘Sei que parece estranho, mas me sinto tonta e sem fôlego toda vez que tento correr. Sinto como se fosse desmaiar’. Ele trouxe outro professor, e os dois riram. Disseram: ‘Até pessoas com problemas cardíacos conseguem correr voltas — você está sendo dramática'”, relatou Marina à revista americana “People”.

Naquela época, a jovem tentou explicar o que sentia à família e aos amigos, mas ouviu apenas que precisava se esforçar mais. “Pensei: ‘Talvez eu esteja fora de forma. Talvez eu simplesmente odeie esportes'”, lembrou.

Marina Jones quando criança — Foto: Marina Jones

Aos 15 anos, as crises se intensificaram, e Marina passou a enfrentar enxaquecas, fadiga e tontura constantes. Ao se consultar com médicos da sua região, os sintomas foram atribuídos a falta de ferro e má alimentação. Àquela altura, até mesmo atividades sociais eram evitadas. Marina inventava desculpas para não caminhar com as amigas ou até mesmo andar pelo shopping.

“Eu me isolei… Não sabia o que estava errado. Eu simplesmente sabia que havia algo errado. Todos achavam que eu estava sendo dramática, então guardei para mim. Até tentei pesquisar meus sintomas, mas tudo o que encontrei foi asma — e não parecia que era isso que eu tinha”, disse à “People”.

Entretanto, durante uma visita à faculdade da irmã mais velha, na Geórgia (EUA), a família começou a perceber a real dimensão do problema. Após subir uma ladeira com os familiares, Marina desmaiou na calçada.

“Todo mundo me dizia para me apressar, e então… não me lembro bem do que aconteceu. Simplesmente acordei na calçada. Eu tinha desmaiado completamente”, contou ela.

Marina Jones com seus irmãos — Foto: Marina Jones

Mesmo após insistir que estava bem, a mãe dela decidiu agendar uma consulta com seu médico de rotina. Naquela visita, Marina deu todos os detalhes do que enfrentava: revelou que evitava as escadas, inventava lesões para fugir das aulas de educação física e se afastava dos amigos.

Ao tomar ciência da gravidade, o médico solicitou uma radiografia de tórax, e o resultado revelou que o coração da jovem estava quase o dobro do tamanho normal, sobrecarregado por anos para compensar uma falta de oxigenação.

O diagnóstico veio logo depois: hipertensão pulmonar. A mãe de Marina foi a primeira a receber a notícia e, emocionada, explicou a situação para a filha, mas alertou para que ela evitasse buscar informações na internet.

Marina Jones no hospital — Foto: Marina Jones

“Eu nunca tinha ouvido falar disso, então pensei: ‘Tá bom?’. Mas só pelo tom de voz dela, percebi que algo estava realmente errado. Perguntei: ‘Isso afeta minha expectativa de vida?’ E ela respondeu: ‘Bem…’ Foi aí que eu soube.”

Sem conter a curiosidade, Marina pesquisou por conta própria. A realidade foi desanimadora: “Expectativa de vida: cinco anos após o diagnóstico”, dizia o primeiro site na página de busca.

“Eu tinha 16 anos, fiquei chocada. Me lembro de me sentir estranha, como se as coisas de repente tivessem ficado sérias demais”, disse a jovem.

Marina Jones no hospital — Foto: Marina Jones

A primeira medida tomada pelo médico foi iniciar o tratamento com uma bomba de medicação contínua, chamada Remodulin. Marina precisou administrar o remédio 24 horas por dia por meio de uma agulha inserida sob a pele. O dispositivo aparentava um celular antigo e ficava preso na cintura dela.

Ela relatou que os efeitos coletarias a geraram “fortes dores” emocionais e físicas:

“Era sempre desconfortável. Eu sentia dor praticamente 24 horas por dia, 7 dias por semana.”

Do ensino médio à universidade, a jovem lutou para manter uma vida normal, mas a doença não deu trégua. Aos 22 anos, ela estudava estética, e lutava até mesmo para uma simples caminhada do carro à sala de aula.

“Eu não queria falar sobre o que estava acontecendo, então ia direto para o banheiro, verificava meu nível de oxigênio, recuperava o fôlego e depois ia para a aula. Eu estava exausta o tempo todo”, comentou ela.

Marina Jones após seu diagnóstico — Foto: Marina Jones

Durante um exame de rotina, veio o novo diagnóstico: insuficiência cardíaca. O ecocardiograma revelou que a situação tinha se agravado, e o pneumologista não hesitou: era hora de iniciar o processo de transplante de pulmão.

“Ele apenas olhou para mim e disse: ‘Bem, está na hora. Se você quer o transplante, precisamos começar o processo”, conta a jovem.

Foram semanas de testes e avaliações para entrar na lista de transplantes. Quando recebeu a primeira confirmação de uma possível compatibilidade, a cirurgia foi cancelada, os pulmões não eram 100% viáveis. Uma semana depois, veio uma nova chance.

“A enfermeira disse com toda a naturalidade: ‘Ei, Marina, você quer vir aqui embaixo e colocar uns pulmões novos?’ Eu fiquei tipo: ‘Hum… tem certeza?”, relembrou Marina.

A cirurgia aconteceu logo após a chegada ao hospital. “Imaginamos que teríamos que esperar horas. Mas, de repente, os cirurgiões entraram e começaram a tirar minha maca. Minha mãe perguntou: ‘Espera aí , a cirurgia é agora?’ E eles disseram: ‘Sim, estamos prontos'”, completou.

Marina Jones durante seu transplante — Foto: Marina Jones

O transplante aconteceu sem complicações. Entretanto, os primeiros dias pós-cirurgia não foram tranquilos.

“Eu tinha a ideia de que, no momento em que acordasse, daria aquela primeira respiração incrível, sentiria o ar encher meus pulmões e tudo ficaria melhor”, disse a jovem.

Sem poder tossir para limpar os pulmões devido à dor, Marina precisou ficar por mais tempo que o esperado no respirador. Mas, aos poucos, foi se recuperando, e voltou a respirar sozinha, andar, falar e retomar a rotina básica.

Atualmente, ainda em recuperação, ela tem uma rotina de disciplina: toma entre 20 e 30 medicamentos por dia, e monitorara os sinais vitais duas vezes ao dia.

Marina Jones em sua cama de hospital — Foto: Marina Jones

Durante o primeiro ano pós-transplante, Marina viveu praticamente isolada, sem ir a lugares públicos e com distância física até mesmo de familiares. Com tanto tempo livre, a jovem decidiu iniciar um novo hobby: gravar vídeos para o TikTok. Na rede social, ela compartilhava sua rotina de cuidados e já acumula mais de 600 mil seguidores.

“No começo, fiquei nervosa com a minha aparência. Um dos efeitos colaterais dos remédios para transplante era a cara de lua cheia. O meu rosto inchava muito e eu ficava um pouco envergonhada. Mas comecei a fazer vídeos mesmo assim, falando sobre como era realmente estar doente ou passar por um transplante”, relembrou.

Atualmente, Marina precisa seguir o que chama de “dieta da gravidez”. Ela não pode consumir alimentos crus ou mal lavados, tampouco saladas em restaurantes, ou alimentos crus, como Sushi. Além disso, tomará remédios imunossupressores pelo resto da vida.

Ainda assim, a jovem prefere destacar os momentos de liberdade que passou a ter após a cirurgia. “Acabei de viajar sozinha pela primeira vez. Nunca pensei que faria isso. Eu costumava levar oxigênio para todo lugar, sempre preocupada com ataques cardíacos ou algo pior.”

“Houve momentos difíceis. Ainda tenho restrições. Ainda vou ao médico. Mas a vida é tão boa agora”, acrescenta a jovem.

(*estagiário sob supervisão de Fernando Moreira – PAGE NOT FOUND)

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