Voz do Bico

Acadêmicos e docentes do Câmpus Araguatins realizam visita técnica ao primeiro quilombo titulado do Tocantins

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Os acadêmicos e docentes puderam conhecer o território e os moradores da região (Fotos: Cyarla Barbosa/Dicom Unitins)

ARAGUATINS – A Comunidade Quilombola Ilha de São Vicente, localizada na região do Bico do Papagaio, é o primeiro território quilombola titulado no Estado do Tocantins. Com objetivo de conhecer e se aproximar da região, acadêmicos e docentes dos cursos de Letras e Pedagogia da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) Câmpus Araguatins, fizeram uma visita técnica ao local. Todo momento foi acompanhado pelo vice-presidente da Associação Comunitária de Quilombolas, Jovenilson Noronha e pela moradora, Karolene Barros.

Durante a visita, a comunidade acadêmica pôde conhecer as famílias que vivem no quilombo e percorrer o território. A ação faz parte do projeto de extensão “Aulas de Reforço na Comunidade Quilombola da Ilha São Vicente” de responsabilidade da acadêmica bolsista, Thágila Thatielle Rosa Pereira, voluntários Amanda Mendes Pereira e Paulo Vinicius da Silva Pimentel e coordenada pelo docente da Unitins, Diego Grossi Pacheco.

Para a acadêmica do 5º período de Pedagogia, Shaiane Silva, “a visita ao quilombo foi uma experiência enriquecedora tanto no aspecto cultural quanto na minha formação. Esse contato direto com a história, as tradições e as lutas da Comunidade Quilombola permitem uma compreensão mais profunda da diversidade cultural brasileira e da importância da valorização da cultura Afro-brasileira na educação. Como futura professora, essa vivência ampliou minha percepção sobre a necessidade de uma educação antirracista e inclusiva que respeite e promova a identidade dos alunos. Essa experiência também me fez refletir o quanto os direitos da comunidade quilombola são violados, e os mesmos enfrentam inúmeras dificuldades no acesso à saúde e educação.”

Momento de interação entre estudantes e membros da comunidade

De acordo com o coordenador do projeto, Diego Grossi, a aula de campo ocorreu com o objetivo de aproximar os estudantes da comunidade. “Nós fizemos uma aula de campo com os alunos da Unitins para que nossos acadêmicos conheçam de maneira mais próxima essa região histórica, que tem uma trajetória de resistência e uma importância, não só para cidade de Araguatins, como para o Brasil e para América Latina.”

“Nós viemos à Ilha de São Vicente conhecer a história do primeiro quilombo da região e foi muito interessante entender a cultura e adentrar a essa terra de resistência. Saber sobre a história do quilombo, do povo e principalmente conhecer os saberes ancestrais e confluentes no quilombo dentro dessa cultura e desse lugar. Então, foi uma experiência de um aprendizado coletivo e de resistência”, menciona o docente da Unitins, Rafael Furtado.

O vice-presidente da Associação Comunitária de Quilombolas, Jovenilson Noronha agradeceu a presença e o interesse dos estudantes e professores. “Recebemos a visita dos acadêmicos da Unitins e foi um prazer muito grande, pois aqui nós aprendemos e ensinamos um pouco da nossa história, da nossa ancestralidade e mostramos a importância da nossa comunidade para Araguatins. Nós só temos a agradecer pela visita e as portas estão sempre abertas.”

Docentes e acadêmicos conhecem o território quilombola

“A experiência foi incrível. Eu, particularmente, só conhecia territórios quilombolas na teoria. Na minha tese de doutorado trabalhei muito com a questão da memória coletiva de ‘Halbwachs’, como ela se forma e pode ser passada por gerações. Fiquei emocionada ao ver isso na prática: mesmo as crianças têm consciência plena de quem são e da importância disso. Halbwachs aponta que esse tipo reconstrução, de um passado comum, só é possível quando se continua a fazer parte de uma mesma sociedade. É um processo incessante de reconstrução do passado. Como mulher negra, acho isso absolutamente fantástico. Assim como muitos outros descendentes dos escravizados, não posso reconstruir o meu passado porque essa memória não foi preservada. Por isso, acho fundamental a preservação dos territórios quilombolas como lugares de memória. Ver a dedicação com que os donos daquela terra rememoram seus antepassados e tentam os honrar é inspirador”, afirma a coordenadora do curso de Letras, Ágata Cristina.

Segundo a coordenadora do curso de Pedagogia, Ana Irene Carneiro, a ação foi enriquecedora e transformadora para os acadêmicos. “O contato direto com a cultura, a história e as lutas da comunidade quilombola fortalece a formação dos futuros professores, ampliando a compreensão sobre a importância de uma educação antirracista e inclusiva. Além disso, iniciativas como essa reafirmam o compromisso da universidade com a valorização da diversidade cultural e o respeito às identidades. A troca de saberes proporcionada por essa vivência é essencial para que nossos estudantes se tornem educadores sensíveis às realidades sociais e preparados para promover uma educação que reconheça e valorize a ancestralidade afro-brasileira em sala de aula.”

“A visita técnica dos acadêmicos e docentes da Unitins à Comunidade Quilombola Ilha de São Vicente representa um passo significativo no fortalecimento do diálogo entre a universidade e as comunidades tradicionais. Esse contato direto permite que nossos estudantes conheçam, valorizem e aprendam com a história, a cultura e a resistência desse povo, contribuindo para uma formação acadêmica mais humanizada e sensível às realidades sociais. Como instituição de ensino comprometida com a inclusão e a transformação social, reafirmamos nosso compromisso com a valorização da cultura quilombola e com iniciativas que promovam uma educação antirracista e inclusiva. Agradecemos à comunidade pela acolhida e seguimos firmes na construção desse conhecimento compartilhado”, comenta o diretor do Câmpus Araguatins, Sérgio Mendes.

(DICOM IFTO)

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