TOCANTINS/ BRASÍLIA — O candidato a deputado estadual pelo Tocantins, Antônio Marcos do MST (PT), participou na quarta-feira (12) da Plenária Nacional da Militância Agrária. O encontro, que reuniu as principais candidaturas das frentes agrárias de todo o país, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua agenda oficial. A reunião debateu as diretrizes para o fortalecimento do campo e a expectativa é de um saldo positivo para o avanço e a consolidação das pautas da reforma agrária popular.
A plenária, que é promovida pela Secretaria Agrária Nacional do Partido dos Trabalhadores e pelo Núcleo Agrário da Bancada do PT no Congresso Nacional, reflete um momento de alinhamento estratégico interno, que acontece de forma híbrida, no auditório nacional do PT em Brasília, às 19h, com link de participação online pela plataforma Zoom , para os candidatos que se inscrevam no site do Comitê Popular de Luta.
Antônio Marcos, também coordenador nacional do MST, entende que há uma dívida histórica do governo Lula para com todos os movimentos e organizações sociais do campo. O candidato é contundente à esta afirmação – que também é a mesma de Stedile e João Paulo Rodrigues, ambos líderes do MST – ao lembrar que “somente uma comunidade quilombola no Tocantins foi titulada durante o governo Lula, que é o caso da Ilha de São Vicente, no município de Araguatins”.
Para Antônio Marcos, a defesa dos territórios está inegavelmente ligada à luta pelas suas titulações, sejam eles do MST, dos quilombolas, bem como a demarcação e proteção dos territórios indígenas. Ele também cobra o reconhecimento da atuação das comunidades pesqueiras tradicionais com ampliação de políticas públicas e maior atenção para as quebradeiras de coco.
Outra cobrança de Antônio Marcos diz respeito às políticas do Plano Safra. Para ele, a divisão de recursos do programa, que sempre foi maior para os setores ligados ao agronegócio, deve ser melhorada. “[…] Um exemplo é a assistência técnica e extensão rural para a reforma agrária. Ela precisa ser universalizada e atender todas as famílias. Hoje, os recursos são insuficientes para a garantia do serviço.”
Além da presença do presidente Lula, a plenária terá um momento de ato político, que consiste na assinatura de uma Carta-Compromisso que deverá ser encaminhada a todos os candidatos agrários do país.
Violência no campo
Enquanto o governo enfrenta desafios para avançar na destinação de áreas para famílias assentadas, Antônio Marcos denuncia o expressivo aumento da violência, principalmente na região norte do país. Segundo dados do relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, com levantamento do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (Cedoc-CPT), o Tocantins, por exemplo, registrou aumento de 40% em conflitos, saindo de 50 registros em 2024 para 70 em 2025.
Segundo a Comissão Pastoral pela Terra (CPT), a Amazônia Legal concentrou mais da metade dos conflitos e dos assassinatos no campo no ano passado. Das 1.593 ocorrências registradas, 824 foram nesta região, que abrange os sete estados da região norte. Os dados sobre trabalho análogo à escravo também são alarmantes: 780 trabalhadores foram resgatados em 38 operações contra situações degradantes e ilegais de trabalho. Aumento mais que triplicou em relação à 2024.
Em julho deste ano, ‘jagunços’ a mando do latifúndio, covardemente derrubaram e incendiaram 22 moradias de famílias camponesas da comunidade Recanto do Lontra, em Araguaína-TO. O que antes eram ameaças, tentativas de expulsão, disparos de arma de fogo e destruição de estradas, tornaram-se roçados e criações arrasadas.
Mensagem da candidatura
“Avançamos na política de reforma agrária no Brasil, isto é inegável. O governo Lula recriou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e retomou políticas de assentamento, mas durante estes 4 anos, o alcance se mostrou ineficiente, principalmente no que diz respeito ao cumprimento da meta de assentamento de famílias acampadas. É preciso muito mais investimento do governo, muito mais atenção e prioridade no cumprimento das agendas da reforma agrária popular. O próprio governo tem ciência dos dados, então um dos nossos compromissos é seguir articulando junto ao Governo Federal a ampliação das políticas de direito à terra e o alcance total das famílias.”
(Assessoria)
