
ARAGUATINS – O professor Paulo Hernandes Gonçalves da Silva concedeu uma entrevista ao portal Voz do Bico para falar sobre sua pré-candidatura a reitor do Instituto Federal do Tocantins (IFTO). Paulo é doutorando em Letras e professor do IFTO, lotado no câmpus Araguatins desde 2009. Foi diretor-geral do câmpus Colinas do Tocantins de 2014 a 2020. Já exerceu diversas funções nas unidades e em outros institutos.
Voz do Bico – O que o impulsionou a tomar a decisão de se candidatar?
Paulo Hernandes – Fui impulsionado por acreditar que a educação é parte de um processo de amorosidade. Explicando melhor, por ter certeza que a educação precisa de fato ser democrática, de fato inclusiva, e de fato que respeite as microrregiões do nosso estado do Tocantins. Para que possamos avançar ainda mais, enquanto promotores de uma educação profissional pública federal gratuita e de qualidade. Também pelo meu histórico, por ser servidor público federal de carreira há 26 anos, reconheço que uma das grandes qualidades de um gestor é ter coragem de resolver os problemas de uma instituição, até mesmo de colocar o nome para um pleito eleitoral com propósito de desenvolvimento das comunidades envolvidas no processo educacional, neste caso o IFTO. Desde os 19 anos de idade, quando comecei como almoxarife na antiga Escola Agrotécnica Federal de Araguatins (1995), tive a oportunidade de promover melhorias nas atividades que executava. E por isso, a decisão da pré-candidatura ocorreu coletivamente, pelo reconhecimento de uma trajetória profissional, com o chamamento de estudantes, professores e técnicos administrativos que apoiam este projeto, e que acreditam que o IFTO é para todos.
VB – Quais são as principais dificuldades que você espera nesta pré-campanha?
PHG – Os maiores desafios serão administrar o emocional, as normas de biossegurança e as fakenews. Em outras palavras, é desafiador conviver com a perda de tantas vidas pela pandemia da covid-19, pois muitas vezes, falar de processo político institucional pode ser visto como algo de insensibilidade. Para mim, o mais importante no mundo é a vida humana. É necessário respeitarmos a dor de tantas famílias e sermos solidários com o luto. Torço para que as pesquisas científicas prevaleçam, todos sejam imunizados e possamos superar esse momento traumático. Quanto às fakenews, não estamos isolados e imunes a elas, pois são muito comuns nas eleições para cargos políticos e institucionais. E se essas surgirem, estaremos preparados, não estamos sozinhos, muitos estão comigo, porque querem mudança, querem alternância, e apresento-me como esta possibilidade.
VB – Quais são os desafios previstos para uma possível gestão como reitor?
PHG – Um dos grandes desafios dos gestores públicos tem sido as restrições orçamentárias, ou seja, ter a capacidade de aplicar os recursos públicos com eficiência, eficácia e efetividade. Aquilo que chamamos de fazer mais com menos e com qualidade. E para isso, sinto-me preparado, pois a vida como gestor público me possibilitou essa expertise. Outro aspecto importante é ter um líder que tenha enfoque e gaste energias para resolver os problemas, e não torná-los maiores do que realmente são. Urge um líder que administre com compartilhamento de ideias e responsabilidades. E, antes de tudo e de todos, ser um líder coerente, diminuindo a distância entre o que diz e o que faz. Ser um líder que de fato entende que a liderança não é estar sozinho, mas que tenha uma equipe coesa, que conheça e reconheça as pessoas e as valorize efetivamente.
VB – Qual é o seu principal plano/projeto para o instituto se for eleito?
PHG – O principal projeto institucional consiste em promover, de fato, a autonomia pedagógica e administrativa das onze unidades que compõem o IFTO (Araguatins, Araguaína, Colinas, Dianópolis, Formoso do Araguaia, Gurupi, Lagoa da Confusão, Palmas, Paraíso, Pedro Afonso e Porto Nacional). As propostas, portanto, serão definidas em torno de: a) valorizar as carreiras e a formação de docentes e técnico-administrativos, em suas áreas e em gestão; b) manter diálogo permanente; c) defender a rede federal; d) promover mecanismos de integração do tripé ensino, pesquisa e extensão; e) gerenciar os recursos públicos com transparência e governança; f) pactuar parcerias com a comunidade externa e o processo produtivo (mundo do trabalho); g) robustecer as políticas estudantis para o acesso, a permanência e o êxito; h) viabilizar programas de qualidade de vida dos servidores e estudantes.
VB – O que o IFTO significa para você?
PHG – O IFTO para mim significa um divisor de águas. Representa a possibilidade de implementar a justiça social em meio a uma sociedade marcada por desigualdades. O IFTO se concretiza como um lar para estudantes e servidores, em que se constrói histórias, modifica-se trajetórias, realiza-se sonhos, empodera-se vidas e cria-se laços para uma eternidade. E por isso, vislumbro um IFTO para todos, onde verdadeiramente a democracia aconteça. A pré-candidatura lançada por nossos apoiadores tem a obrigação de desenvolver um trabalho sério, honesto, ético, a partir de uma gestão eficiente, descentralizada, participativa e humanizada. Ressalto, inclusive, que fazer a autonomia dos câmpus não será um desafio, pois a comunidade tem clamado por isso, e esse fato se ressignifica como uma necessidade.
VB – Algo a acrescentar?
PHG – Importante acrescentar que o papel da reitoria é auxiliar a promoção do excelente funcionamento das unidades. Recordo-me aqui, muito propício para esta época, que há quase dois mil anos atrás, Cristo pegou a bacia e lavou os pés dos que lhe eram mais próximos. Assim, ao ser questionado sobre quem deveria ser o maior, Jesus disse que “quem quer ser o maior, sirva”. Este é o sentido. Assim penso a função do serviço público e o papel primordial da reitoria. Queremos uma reitoria em prol dos câmpus, e não o contrário. A instituição existe para a promoção do ensino, da pesquisa e da extensão, e, portanto, nossas comunidades e os gestores das onze unidades do estado precisam ser respeitados em suas peculiaridades pedagógicas e administrativas.
(Ionnara Lima – Voz do Bico)