Voz do Bico

Estão esquecendo de Mauro Carlesse? Ex-governador pode voltar ao jogo político em 2026

Governador Carlesse. Foto: Paulo Palmares.

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Governador Mauro Carlesse em seu pronunciamento no evento da aula magna do curso de medicina no câmpus da Unitins em Augustinópolis. (Foto: Nonato Silva/Dicom Unitins)

AUGUSTINÓPOLIS/TOCANTINS – Em meio às especulações sobre os possíveis candidatos ao governo do Tocantins em 2026, um nome parece ter sido deixado de lado nas rodas de conversa política: o do ex-governador Mauro Carlesse. Enquanto lideranças como o governador interino Laurez Moreira (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa Amélio Cayres (Republicanos), a senadora Professora Dorinha (UB), o senador Eduardo Gomes (PL) e o deputado federal Alexandre Guimarães (MDB) aparecem como apostas naturais, Carlesse surge, quando muito, como uma lembrança distante e sem grande importância.

A pergunta que fica é: Mauro Carlesse estaria fora do jogo político tocantinense? Teria se tornado um “cachorro morto” no cenário eleitoral de 2026, sem força nem capital político para interferir nos rumos do pleito? É bem provável que não, sua presença nas redes social prevê outro comportamento.

Carlesse e o passado recente

Reeleito governador do Tocantins em 2018, Mauro Carlesse renunciou ao cargo em 2022 após uma série de denúncias de corrupção. Desde então, manteve-se em silêncio político, enquanto enfrentava processos judiciais e desgaste público.

Contudo, segundo sua defesa, atualmente não há impedimento legal que inviabilize uma eventual candidatura. “Carlesse pode disputar qualquer cargo eletivo. Se decidir voltar, certamente buscará o Palácio Araguaia”, afirmam seus advogados.

STJ reconhece nulidade de prisão e reforça tese de perseguição política

No dia 3 de outubro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por decisão do ministro Mauro Campbell Marques, declarou nula a prisão preventiva decretada contra Carlesse em 15 de dezembro de 2024, determinando o desentranhamento dos elementos que fundamentaram a medida.

O ex-governador ficou 67 dias preso, entre 15 de dezembro de 2024 e 20 de fevereiro de 2025. De acordo com o STJ, a prisão foi considerada injusta e sem provas, uma vez que se baseava em “elementos irregulares e inválidos”.

Para a defesa, a decisão repara uma perseguição política e reafirma o princípio do devido processo legal.

“Com o reconhecimento da nulidade, fica evidente que a prisão nunca deveria ter acontecido. Mais do que reparar uma injustiça, a decisão reafirma que ninguém pode ser privado de sua liberdade sem provas legítimas”, destacou a equipe jurídica de Carlesse.

Um governador de perfil administrativo

Durante seu governo, Mauro Carlesse destacou-se pelo perfil administrativo e pela tentativa de reorganizar as contas públicas do estado do Tocantins. Sua gestão buscou equilibrar as finanças estaduais, permitindo investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Mesmo com o desgaste político e os processos que marcaram sua trajetória recente, Carlesse mantém bases políticas no interior do Tocantins, especialmente em regiões que se beneficiaram de obras e programas de seu governo, como é o caso de Augustinópolis onde deixou instalado o primeiro e único curso de Medicina oferecido pela Unitins.

De volta ao tabuleiro?

Com a decisão favorável do STJ e a possível recomposição de sua imagem pública, não seria surpresa se Mauro Carlesse voltasse a figurar entre os nomes para 2026. Resta saber se o eleitorado tocantinense — e as lideranças partidárias — ainda o enxergam como um nome competitivo ou se o ex-governador, de fato, ficará fora do jogo.

Uma coisa é certa: a política tocantinense tem muitas curvas sinuosas, assim como também é marcada por reviravoltas. E Carlesse, que já surpreendeu o estado uma vez, ao ser leito presidente da Assembleia Legislativa (Aleto) pode estar aguardando apenas o momento certo para tentar fazer isso novamente.

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