
AUGUSTINÓPOLIS – A redação do Portal Voz do Bico, recebeu uma denúncia gravíssima contra o Hospital Regional de Augustinópolis. A dona de casa Iraci Borges dos Santos, de 78 anos, moradora de Sítio Novo do Tocantins, veio a óbito no Hospital Regional de Augustinópolis (HRAug) após o que a família aponta como um erro médico fatal, à administração de uma bolsa de sangue com tipo sanguíneo incompatível.
De acordo com os relatos de Iara Borges dos Santos, filha da vítima, a idosa deu entrada na unidade no dia 28 de março de 2026 para tratar uma pneumonia, apresentando sintomas gripais e sem febre. No dia seguinte, foi formalmente internada e também diagnosticada com cardiopatia (coração aumentado), iniciando o tratamento para as comorbidades.
Após peregrinar por diferentes setores do hospital — passando pelas salas amarela e vermelha —, no dia 13 de abril a paciente foi transferida para o isolamento na chamada “Ala A”. Nesse momento, a filha relata ter se deparado com um cenário de completo abandono estrutural:
“O quarto era quente e parecia estar desativado, o leito estava quebrado e o aparelho da dieta apresentava o visor queimado. Enfim, uma situação de total precariedade”, desabafou Iara.
O ponto crítico da tragédia ocorreu no dia 15 de abril. Pela manhã, uma enfermeira colheu sangue de Dona Iraci para a realização de tipagem sanguínea. Por volta do meio-dia, a mesma profissional retornou com uma bolsa de sangue e iniciou a transfusão. “Qualquer coisa você me chama”, teria dito a profissional antes de deixar o quarto.
Pressentindo que algo estava errado, Iara tirou uma foto da bolsa de sangue e enviou para a irmã, sob a esperança de que o procedimento acelerasse a alta da mãe. Pouco tempo depois, a enfermeira retornou acompanhada pelo plantonista do Hemocentro responsável pela unidade. O profissional ordenou a interrupção imediata da transfusão.
Em seu relato desesperado, a filha detalha a ausência de respostas da equipe:
“Foi aí que percebi algo errado. Eu perguntei para ela qual era o tipo de sangue da minha mãe. A enfermeira disse que não sabia. Perguntei novamente, e ela falou: ‘Eu não sei, o Doutor só pediu para eu suspender’. E ela se retirou da sala levando a bolsa.”
A suspeita da família transformou-se em horror ao cruzarem as informações. Pela fotografia tirada por Iara, foi possível identificar que a bolsa administrada era de sangue tipo A positivo. Posteriormente, a família teve a confirmação de que o tipo sanguíneo de Dona Iraci era O positivo.
Segundo o Boletim de Ocorrência nº 00034626/2026, registrado no dia 16 de abril, a idosa passou mal de forma repentina e imediata assim que o procedimento foi interrompido e a equipe se retirou. A filha acionou os médicos às pressas e denuncia que houve demora no atendimento de socorro. Apesar das manobras posteriores, a paciente não resistiu e veio a óbito na unidade, sob gerência da Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins (SES-TO).
Após o falecimento, sem receber explicações claras da unidade hospitalar, a declarante foi orientada a procurar as autoridades policiais para resguardar os direitos da família e dar início aos trâmites legais, incluindo o pedido judicial de cópia integral do prontuário médico de Dona Iraci.
A investigação da Polícia Civil deverá apurar as responsabilidades e identificar os profissionais envolvidos na cadeia de custódia e aplicação do sangue.
Muito emocionada Iara Borges, relatou os momentos detalhados do ocorrido em áudio para a redação do Potal Voz do Bico, confira abaixo:
“É um sentimento de muita dor, descaso, total abandono, sem acolhimento, até agora ninguém se manifestou com a família estamos sofrendo muito, foi uma perda irreparável”, disse Iara Borges.
O caso, que expõe marcas de negligência e a precariedade da estrutura hospitalar, foi registrado na 13ª Delegacia de Polícia Civil de Augustinópolis como homicídio culposo com aumento de pena por inobservância de regra técnica de profissão (Art. 121, § 4º do CPB).
O outro lado:
A Redação do Portal Voz do Bico, entrou em contato com a Secretaria de Estadual de Saúde do Tocantins e por meio de uma nota disse:
Nota
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informa que, até o momento, não foi oficialmente notificada sobre o fato mencionado.
A Pasta ressalta que, tão logo tenha conhecimento formal da ocorrência e acesso às informações necessárias, adotará as providências cabíveis, em conformidade com os protocolos institucionais.
A SES-TO manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos, neste momento de dor, e se coloca à disposição para colaborar com os esclarecimentos que se fizerem necessários.
20 de maio de 2026
Secretaria de Estado da Saúde.
(Retificação): Esta matéria foi atualizada para corrigir a informação sobre o responsável pela interrupção do procedimento. Ao contrário do publicado inicialmente, o profissional citado pertence ao Hemocentro (Banco de Sangue), e não ao laboratório de análises clínicas prestador de serviços do hospital, que não possui atribuições em procedimentos transfusionais.
Nota
O laboratório de análises clínicas prestador de serviços ao Hospital Regional de Augustinópolis, por meio de seu responsável técnico, Cleumy, esclarece que não possui qualquer envolvimento nos procedimentos transfusionais citados na reportagem. A empresa ressalta que suas atribuições limitam-se exclusivamente à realização de exames laboratoriais de rotina. Os testes de compatibilidade, tipagem sanguínea, liberação e gerenciamento de bolsas de sangue são de competência única e exclusiva do Banco de Sangue (Hemocentro) responsável pela unidade hospitalar, e não do laboratório de análises clínicas.
(Redação Voz do Bico)