*Por Paulo Palmares
AXIXÁ – Na política, é quase um clichê dizer que nenhum dia é igual ao outro. Acordos têm prazo de validade, e as conveniências, muitas vezes, funcionam como um reagente capaz de azedar até o mais firme aperto de mão.
Nesse contexto, a relação entre o deputado estadual e pré-candidato a deputado federal Jair Farias e o prefeito de Axixá, Auri-Wulange Ribeiro Jorge — o Dr. Auri — vinha sendo construída como uma parceria promissora. Inicialmente, o prefeito demonstrava intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, o que poderia consolidar uma aliança robusta para as eleições de 2026, possivelmente uma das mais expressivas do próximo pleito.
De acordo com analistas políticos, Jair Farias desponta — ainda que não de forma incontestável — como um dos nomes mais competitivos para a Câmara Federal. Já o Dr. Auri, por sua vez, figurava como um dos favoritos na região para uma cadeira na Assembleia. No entanto, por razões jurídicas, o prefeito optou por não renunciar ao mandato e, assim, afastou-se da disputa direta.
A alternativa encontrada foi lançar sua filha, Lana Larrissa, como candidata, ocupando o espaço político que vem sendo construído ao longo dos últimos anos. Essa mudança no tabuleiro, contudo, não teria agradado a Jair Farias. Nos bastidores, já se comenta que a parceria sofreu um abalo: o deputado não demonstraria disposição em formar “dobradinha” com a filha do prefeito, especialmente considerando o peso do seu principal colégio eleitoral, Sítio Novo, que seria transferido ao companheiro.
Diante desse cenário, surgem questionamentos inevitáveis: em caso de rompimento, quem herdaria o capital político em cidades estratégicas como Sítio Novo? Há quem aposte no nome de Raul Cayres, filho do deputado estadual Amélio Cayres, atual presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins.
Ainda assim, é importante destacar que o prefeito de Axixá construiu, ao longo dos anos, um significativo patrimônio eleitoral, tanto no município quanto na região. Ignorar esse capital político seria um erro estratégico. Por isso, a avaliação predominante é de que ainda haverá espaço para diálogo — possivelmente com a mediação do senador Eduardo Gomes e da pré-candidata ao governo, Dorinha Seabra.
Por fim, cabe um ponto relevante: o fator feminino. A política ainda carece de maior participação de mulheres, e candidaturas femininas tendem a ganhar atenção e espaço. Caso não encontre acolhimento no grupo atual, Lana Larrissa, ficará dificilmente sem apoio — há sempre quem esteja disposto a abrir portas e oferecer novas alianças.
*Paulo Palmares,63, é bacharel em direito e editor do portal Voz do Bico.
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