
Corte confirmou decisão da 21ª Zona Eleitoral de Augustinópolis por abuso de poder político e econômico. Apesar da cassação da chapa, Abrão Carolino da Silva, o Cabeça, permanece no cargo de prefeito. Novas eleições deverão ser convocadas.
PALMAS/PRAIA NORTE – O Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) decidiu, por unanimidade, nesta quarta-feira, 16, manter a cassação dos diplomas da prefeita eleita de Praia Norte, Bruna Gabrielle, conhecida como Bruna do Ho Che Mim, e do vice-prefeito Abrão Carolino, o Cabeça. A decisão foi tomada por 7 votos a 0.
A Corte confirmou a sentença proferida pelo juiz da 21ª Zona Eleitoral de Augustinópolis, em ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), que apontaram abuso de poder político e econômico durante as eleições municipais de 2024.
Apesar da confirmação da cassação da chapa, o TRE reconheceu recurso apresentado pelo vice-prefeito Abrão Carolino. Com isso, Cabeça permanece elegível e continua no exercício do cargo de prefeito, função que ocupa desde a cassação administrativa do mandato de Bruna Gabrielle pela Câmara Municipal de Praia Norte.
A decisão também declarou a inelegibilidade do ex-prefeito de Praia Norte, Ho Che Mim Araújo, pelo prazo de oito anos. Além disso, foi determinada a realização de novas eleições no município, ainda sem data definida. Ho Che Mim é candidato a deputado estadual e a decisão deste dia 16 pode ter desdobramento em sua candidatura.
Entenda o caso
A decisão de primeira instância foi proferida em setembro de 2025 pelo juiz eleitoral da 21ª Zona Eleitoral de Augustinópolis. Na sentença, foram cassados os diplomas de Bruna Gabrielle e de Abrão Carolino, além de reconhecida a inelegibilidade do ex-prefeito Ho Che Mim Araújo.
Segundo a Justiça Eleitoral, as provas reunidas nos processos indicaram a existência de um esquema de favorecimento a um empresário em troca de apoio político durante o pleito municipal.
Motivos apontados pela Justiça Eleitoral
Entre os principais fundamentos da decisão estão:
- Favorecimento político e econômico: a Justiça Eleitoral apontou a existência de um conjunto consistente de provas sobre o favorecimento de um empresário em troca de apoio na campanha eleitoral.
- Abuso de poder: conforme a decisão, houve uso da estrutura administrativa e de recursos públicos para desequilibrar a disputa eleitoral de 2024.
- Cassação dos diplomas: a chapa eleita, formada por Bruna Gabrielle e Abrão Carolino, teve os diplomas cassados.
- Inelegibilidade: o ex prefeito Ho Che Mim Araújo foi declarado inelegível pelo prazo de oito anos.
Cassação administrativa de Bruna
Paralelamente ao processo na Justiça Eleitoral, Bruna Gabrielle também perdeu o mandato por decisão da Câmara Municipal de Praia Norte. Em 21 de agosto de 2026, os vereadores aprovaram, por 7 votos a 0, a cassação definitiva da então prefeita.
A decisão do Legislativo municipal foi motivada por supostas infrações político-administrativas, atrasos em repasses à Câmara e investigações envolvendo possíveis desvios em contratos públicos.
Com a cassação administrativa de Bruna, o vice-prefeito Abrão Carulino, o Cabeça, assumiu o comando da Prefeitura de Praia Norte e, conforme a decisão do TRE, segue no cargo até nova deliberação ou até a realização de novas eleições.
(Redação Voz do Bico)