
AUGUSTINÓPOLIS – O impasse entre a BRK (Companhia de Saneamento do Tocantins – Saneatins) e as cerca de 70 famílias que ocupam uma área de pouco mais de 27 hectares no município de Augustinópolis ganhou novos capítulos nesta terça-feira, 4. Durante Audiência de Conciliação, realizada às 13h na sala virtual do Centro Judiciário de Soluções de Conflito e Cidadania (Cejusc) do Fórum de Augustinópolis, representantes dos acampados foram firmes ao declarar que não possuem alternativa habitacional: “Não temos para onde ir.”
Do lado de fora do fórum, aproximadamente 200 pessoas acompanharam o andamento da audiência. A maioria, moradores da área ocupada, não pôde entrar no prédio devido ao grande número de presentes e à realização simultânea de uma Sessão do Júri. A aglomeração refletiu a tensão e a expectativa em torno do possível desfecho do caso.
Assistência jurídica e representantes
Os acampados contaram com suporte jurídico do defensor público Eliel Luiz de Macedo. Já a BRK foi representada pela advogada Verônica Vaz. A sessão teve como conciliadora Zeina El Kadre de Melo. A representação formal dos ocupantes foi conduzida pelo presidente da Associação Sol Nascente, Manoel Antônio Saraiva da Silva, pelo vice-presidente Luiz Carvalho da Silva e por Irlan Oliveira Santos.
Ocupação já dura mais de dois anos
As famílias ocupam a área há 2 anos e 5 meses. Segundo informações repassadas ao portal Voz do Bico, grande parte dos moradores vive em situação de vulnerabilidade social, muitos em condições de extrema pobreza. Entre os ocupantes há quilombolas, indígenas e pessoas sem moradia vindas de diversos municípios da região, especialmente de Augustinópolis.
A área é apontada pela BRK como destinada à construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do município. Entretanto, os representantes dos acampados afirmam que o terreno estava abandonado há cerca de 27 anos — sem cercas, sem identificação e sem qualquer tipo de uso ou produção. Era conhecida também como “área de desova”, onde, segundo relatos, práticas criminosas, inclusive homicídios, teriam ocorrido ao longo dos anos.
Manoel Antônio, presidente da Associação Sol Nascente, explicou que a entidade surgiu justamente para defender e organizar as famílias que ocuparam a gleba. Ele reforça que a ocupação trouxe vida à área antes abandonada e que os moradores não têm condições de deixar o local sem uma solução habitacional adequada.
Audiência termina sem acordo
A Audiência de Conciliação terminou sem consenso entre as partes, mantendo o clima de incerteza. O caso deve agora avançar para decisão judicial, enquanto as famílias aguardam ansiosamente um desfecho que atenda às suas necessidades básicas de moradia e dignidade.
A situação segue sendo acompanhada de perto pela comunidade local, autoridades e movimentos sociais, que veem no caso um retrato da luta por moradia e direitos fundamentais na região.
(Redação Voz do Bico)