Estudantes brasileiros criam filtro de água que pode ajudar astronautas

segunda-feira, 12 de agosto de 2019 às 09:50
Ao fundo, orientadores e, à frente, os alunos do Instituto Federal de Santa Catarina (campus xanxerê) roberta Debortoli, Andreia Weber, Renata Muller, Isabela Battistella e Ricardo Cenci (Foto: Divulgação)

Quatro alunos do segundo ano do ensino médio do Instituto Federal de Santa Catarina – Campus Xanxerê construíram um experimento de filtro de água que foi enviado por um foguete da SpaceX até os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS).

A invenção dos alunos Isabela Battistella, Ricardo Cenci (ambos de 18 anos), Renata Müller e Roberta Debortoli (ambos de 17) foi a vencedora da 2ª edição do projeto Garatéa-ISS. A iniciativa, desenvolvida pela Missão Garatéa com apoio do Instituto TIM, prepara alunos de escolas públicas e particulares brasileiras para o Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), concurso internacional que seleciona criações de estudantes para voarem até a ISS.

Publicidade

À GALILEU, Debortoli conta que o experimento criado por seu grupo tem funcionamento baseado no filtro de barro brasileiro: ele também tem o carvão ativado como agente filtrante. Como no espaço a gravidade é bem mais baixa do que na Terra, foi necessário adaptar o mecanismo.

Alunos fazem teste no protótipo do filtro (Foto: Divulgação)

“Nosso experimento utiliza a capilaridade, um fenômeno físico que substitui a gravidade no processo de filtração”, afirma a aluna. Ela explica que a capilaridade causa tensão superficial em tubos finos, ou seja, ela une as moléculas do líquido e faz com que os fluidos se desloquem ainda que estejam em baixa força gravitacional.

A aluna diz que o experimento não é um filtro finalizado, mas consiste em um tubo de silicone bem pequeno, de apenas 17 cm de comprimento. A intenção é testar se é possível filtrar no espaço uma solução de azul de metileno. Em vez de a solução ser filtrada de cima para baixo, como na Terra, isso ocorreria na ISS de baixo para cima.

Experimento de filtro de silicone feito pelos alunos ganhadores do garatéa-iss (Foto: Divulgação)

“O que os astronautas fazem lá na Estação Espacial Internacional é abrir um grampo e chacoalhar o experimento para garantir que a solução contate o carvão ativado e possa ser filtrada”, descreve Debortoli, que descobriu que projeto Garatéa-ISS existia ao ler uma reportagem da GALILEU. Interessada em participar, foi ela que incentivou os colegas e professores a fazerem a inscrição.

O diretor da Missão Garatéa, Lucas Fonseca, conta que o “filtro” foi enviado junto com comida de astronauta e todos os suprimentos científicos necessários para a tripulação da ISS no dia 25 de julho. “O experimento já foi feito e estamos esperando o retorno. Ele fica funcionando por um mês e até o final do ano deve retornar à Terra”, conta o engenheiro espacial, que pretende expandir a Garatéa-ISS para escolas de outros países da América do Sul e Ásia a partir de 2020.

As inscrições online para a 3ª edição da Garatéa-ISS foram prorrogadas e estão abertas para que escolas brasileiras se inscrevam até este domingo, 11 de agosto. O próximo experimento vencedor deve ser enviado à ISS em 2020.

(REVISTA GALILEU)

-- Publicidade --

Comentários no Facebook