Voz do Bico

Fósseis de cobras de 99 milhões de anos são descobertos

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Serpentes encontradas em âmbar mostram que elas já existiam na época dos dinossauros (Foto: Chinese Academy Of Science)

Pesquisadores encontraram fósseis de duas cobras do Cretáceo Superior, de cerca 99 milhões de anos atrás, que estavam presos em âmbar. Um dos ossos pertence à uma serpente bebê, e é considerado o mais antigo já descoberto desse tipo de animal.

O fóssil do réptil filhote é da espécie Xiaophis myanmarensi. Já a segunda ossada é chamada de DIP-V-15104, visto que foi encontrada apenas um fragmento de sua pele e não há amostra o suficiente para permitir uma classificação exata.

A datação foi possível graças aos pequenos pedaços de zircões (mineral) presos no âmbar. Ao estudar a quantidade de chumbo neles em comparação com o urânio, os estudiosos puderam estabelecer quando eles foram formados.

Detalhe em alta escala da pele da serpente DIP-V-15104 (Foto: Royal Saskatchewan Museum)

“Há duas importantes descobertas científicas dos fósseis”, disse o professor Michael Caldwell, da Universidade de Alberta, no Canadá, ao site IFLScience. “Por ser um bebê e porque as tecnologias, como a síncrotron, nos permite olhar para pequenas coisas, conseguimos imaginar a anatomia da cobra, ver seus ossos e compará-los com os de cobras existentes atualmente.”

A Xiaophis myanmarensi, no seu estado de recém-nascido, possui 97 vértebras, incluindo costelas. A anatomia do réptil é bastante semelhante a de muitas cobras vivas, o que sugere que a ontogenia (desenvolvimento até a maturidade) das cobras mudou pouco ao longo das últimas eras.

“A resina âmbar é produzida por uma árvore que contém plantas e insetos. Com a cobra e a pele, sabemos que esses animais viviam em algum tipo de floresta”, informou Caldwell. Ele e outros paleontólogos indicam que as serpentes viviam na mata da Era Mesozóica, há 186 milhões de anos, quando os dinossauros habitavam a Terra.

Detalhes das costelas da serpente DIP-S-0907 (Foto: Royal Saskatchewan Museum)

Os pesquisadores sugerem que as serpentes podem ter habitando os supercontinentes do período Cretáceo — o atual país Birmânia, onde os fósseis foram encontrados, teria feito parte das terras da Laurásia. Uma das hipóteses é que as cobras Xiaophis iam da Gondwana até a Laurásia por meio de um salto. Para isso, as serpentes teriam encontrado nichos ecológicos e permaneceram praticamente inalteradas por dezenas de milhões de anos.

“Você nunca sabe quando a próxima nova descoberta vai aparecer, mas estou confiante de que alguém já encontrou a outra metade de Xiaophis, e eu realmente quero ver esse fóssil”, afirmou Caldwell.

(REVISTA GALILEU)

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