O mistério de Nefertiti, uma das rainhas mais poderosas do Egito antigo

segunda-feira, 12 de outubro de 2020 às 16:49
Foto: Divulgação

Nefertiti, a renomada esposa do faraó Aquenáton, reinou ao lado de seu marido no Egito Antigo durante o que foi considerado um período de muita agitação cultural, ajudando a restaurar o foco político e religioso da nação. Mas no 12º ano de um governo que durou 17, a rainha simplesmente desapareceu sem deixar rastros, um mistério que confunde historiadores até hoje.

A jornada de Nefertiti

(Fonte: Metropolitan Museum of Art/Reprodução)

Pouco se sabe sobre suas origens, mas alguns estudiosos acreditam que ela pode ter nascido por volta de 1370 a.C. e tenha vivido inicialmente na cidade de Akhmin sob a tutela de um oficial chamado Ay, que era seu pai ou tio. O homem servia como um conselheiro importante até se tornar faraó quando o antecessor faleceu em 1323 a.C.

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Outra crença popular é que a futura rainha era uma princesa nascida do Reino de Mittani, no norte da Síria e era devota do deus egípcio do Sol, Aton.

Mesmo com sua infância sendo pouco conhecida, sabe-se que Nefertiti se casou com Amenhotep IV quando ela tinha 15 anos. O príncipe era filho de Amenhotep III, o nono faraó da 18ª Dinastia que venerava principalmente Amon, divindade do Sol e do ar. Inclusive, os seguidores do deus eram tão poderosos e ricos que tinham até o poder de desafiar seu líder de Estado na época que o casal ascendeu ao trono.

(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Uma época de mudanças

Ao assumirem o governo do Egito Antigo em um período cerca de 1353 a.C., os dois passaram a realizar grandes modificações na sociedade através da interrupção de práticas religiosas populares na época, fechando templos e removendo o poder do culto de Amon para favorecer Aton.

Amenhotep IV chegou até mesmo a profanar o nome e imagens da divindade cultuada, além de construir uma série de templos para o deus favorito de sua esposa em Karnak, próximo de Luxor, logo no primeiro ano de reinado.

Segundo o egiptólogo James Allen, o faraó tentou até mudar a cultura politeísta para monoteísta, provavelmente como uma forma de centralizar o poder apenas entre ele e a esposa.

Aquenáton sacrificando um pato. (Fonte: Metropolitan Museum of Art/Reprodução)

Então, no seu quinto ano governando, Amenhotep IV troca seu nome para Aquenáton,  que significaria “espírito vivo de Aton”, enquanto a rainha passa a ser Neferneferuaten, que pode ser traduzido como “lindas são as belezas de Aton, uma bela mulher chegou”.

Além disso, o casal sai de Tebas, trocando o centro de poder da nação para Amarna, para ficarem mais perto do Sol.

Assumindo outra identidade

Uma das suposições é que Nefertiti não tenha desaparecido, mas sim assumido a figura de Aquenáton  em algum momento. Esta ideia é baseada no fato de que imagens de faraós anteriores foram eliminadas, e as representações do “espírito vivo” tinham quadris e características muito femininas, com as estátuas do casal progredindo lentamente até um ponto no qual se tornaram indistinguíveis.

(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

As paredes dos templos e tumbas construídas durante o governo de Aquenáton  apresentam a rainha com tanta frequência ao lado do marido que egiptólogos e historiadores creem que os dois governaram juntos, pois nenhuma outra esposa real egípcia foi tão retratada junto de seu companheiro quanto ela, aparecendo em cenas de batalha, liderando o culto a Aton e até usando a coroa de faraó em várias obras.

Mas após 12 anos liderando o Egito, Nefertiti desapareceu por completo de qualquer representação artística. Isso pode significar apenas que ela morreu, mas muitos pesquisadores acreditam que ela tenha enganado o público e passado a se vestir como o marido ao receber o status de corregente. Ou até mesmo governado sozinha, disfarçada como o sucessor Smenkhkare.  Entretanto, não existem evidências que comprovem estas teorias.

(Fonte: Neues Museum/Reprodução)

Outras possibilidades incluem expulsão do país quando a adoração a Amon-Ra foi reintroduzida com o fim do governo de Aquenáton, ter sido banida pelo próprio cônjuge por ser incapaz de gerar um filho e até mesmo suicídio após Mekitaten, sua filha de 13 anos, ter morrido durante o parto. Mas novamente, não há provas para qualquer uma dessas ideias.

A possível tumba

Em 2015, o egiptólogo Nicholas Reeves e o arqueólogo Mamdouh Eldamaty encontraram o que acreditam ser uma porta oculta dentro da tumba de Tutancâmon. A área apresentou anomalias estruturais que sugerem uma sala secreta que pode ser o local de descanso de Nefertiti.

(Fonte: Flickr/Reprodução)

E em fevereiro deste ano, um estudo publicado na revista Nature continha uma pesquisa promissora por radar de penetração no solo (GPR) em torno da construção, com as descobertas apoiando a teoria de Reeves de que existe uma câmara maior escondida ali.

O potencial de salas adicionais escondidas no palácio final de Tutancâmon já foi parte de muitos debates por décadas, com alguns estudiosos rejeitando esta noção completamente enquanto outros chegaram até a contratar empresas particulares para investigar. Entretanto, até o momento, a estrutura ainda não foi aberta e nada pode ser afirmado com certeza.

Mas a verdade é que o busto de Nefertiti é uma das obras mais copiadas do Egito Antigo, e seu legado de poder e beleza é inesquecível, perdurando sua fama milênios após seu desaparecimento misterioso.

(MEGA CURIOSO)

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