Voz do Bico

Venda de carros elétricos dispara no Brasil em poucos meses

Imagem de Mikes-Photography por Pixabay

514
 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Há cerca de um ano, este Olhar Digital trazia uma reportagem especial sobre os carros elétricos no Brasil. O texto apontava, com correção, que a tecnologia ainda engatinhava por nossas terras. E logo na manchete havia a seguinte pergunta: “Quando vai decolar?”.

Hoje, quase 12 meses depois, será que temos a resposta? Será que o mercado de EVs decolou no país? Esses números indicam que sim.

Segundo dados apresentados pelo presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, foram vendidos por aqui 138.581 eletrificados no acumulado entre janeiro e outubro de 2024. Entenda por eletrificado os EV e os híbridos também.

O resultado já superou em 48% os emplacamentos de todo o ano passado. Num recorte ainda mais impressionante, esses quase 140 mil veículos representam mais do que os 126 mil comercializados no Brasil em uma década, de 2012 a 2022.

Sim, é verdade que essa tecnologia se “popularizou” mais recentemente, mas ainda assim é um desempenho notável: em 10 meses, o Brasil emplacou a mesma quantidade de eletrificados em 10 anos!

Os favoritos dos brasileiros

O BYD Song Plus ocupa a liderança na lista dos EVs mais vendidos no Brasil em 2024 – Imagem: Divulgação/BYD
A linha Haval H6, da chinesa GWM, também vai bem na lista de emplacamentos no país – Imagem: divulgação/GWM

Quer dizer que decolou mesmo?

Olha, eu diria que decolar é um verbo muito forte. As vendas melhoraram bastante, é verdade, mas os elétricos ainda representam uma fatia mínima do nosso mercado.

Em relação ao nosso histórico, podemos dizer que a evolução foi gigantesca. Agora, fato é que ainda estamos anos-luz atrás de outros mercados pelo mundo.

Na Alemanha, por exemplo, a fatia de EVs já supera a casa dos 20% do total de veículos em circulação. Nos Estados Unidos, os eletrificados responderam por 1,1 milhão das vendas de carros em 2023. E a previsão é que esse número volte a crescer em 2024. Bom, não preciso dizer que 1 milhão é bem mais que os nossos 140 mil… E olha que eu nem estou citando a China, o maior reduto dessa tecnologia no planeta.

Se em 2023 dissemos que os elétricos ainda engatinhavam por aqui, agora eles já começaram a andar com as próprias pernas. E a tendência é positiva: já já essa criança pode começar a correr e, quem sabe um dia, decolar de verdade.

O Brasil ainda carece de infraestrutura: faltam, por exemplo, mais pontos de carregamento pelo país – Imagem: Darunrat Wongsuvan/Shutterstock

Agora, para isso acontecer, é preciso que o país acompanhe essas mudanças. A ABVE afirma que os investimentos nesse tipo de tecnologia por aqui ainda são baixos, que as políticas públicas são fragmentadas e que não há um Plano Nacional de Eletromobilidade.

Isso sem contar os preços elevados dos veículos, a falta de uma linha de crédito específica (e atrativa), além da pouca infraestrutura: são apenas 10.622 pontos de carregamento em um país do tamanho de um continente.

Esperamos que as coisas evoluam até o próximo texto desse tipo, no final de 2025.

Colaboração para o Olhar Digital

Roberto (Bob) Furuya é formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atua na área desde 2010. Passou pelas redações da Jovem Pan e da BandNews FM.

Editor(a)

Lucas Soares é jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atualmente é editor de ciência e espaço do Olhar Digital.

(OLHAR DIGITAL)

Sair da versão mobile