
O navio Stellar Banner, que está encalhado com 300 toneladas de minério de ferro da Vale, a 70 km da costa do Maranhão, é de propriedade da empresa sul-coreana Polaris Shipping.
Essa empresa é a mesma responsável pelo Stellar Daisy, embarcação que naufragou no Oceano Atlântico em 2017 após ter sido carregado no Terminal Marítimo da Ilha de Guaíba que pertence a mineradora, na Ilha de Guaíba, no Rio de Janeiro.
A embarcação foi carregada em 25 de março com 260 mil toneladas de minério de ferro e tinha como destino final a China. A bordo do Stellar Daisy estavam 24 tripulantes, entre filipinos e coreanos. De acordo com a Marinha do Uruguai, uma chamada de emergência foi realizada seis dias após o navio ter saído do Brasil, a cerca de 3.700 km do porto de Montevidéu, no Uruguai.
Na época, foi relatado às autoridades brasileiras que ventava muito no momento do acidente e que a água do mar havia invadido a embarcação. Apenas dois tripulantes de nacionalidade filipina foram encontrados em um bote salva-vidas um dia após o acidente, e foram resgatados pela Marinha do Uruguai. Os corpos das outras 22 pessoas não foram encontrados.
A empresa americana de exploração marítima Ocean Infinity foi contratada em 2019, pelo governo da Coreia do Sul, para realizar a busca pelos destroços do Stellar Daisy, quase dois anos após o naufrágio. O navio foi encontrado 72 horas após o inicio das operações, a 1,300 km no fundo sul do Oceano Atlântico, a oeste da Cidade do Cabo, na África do Sul.
Embarcação retida em inspeção
Um ano após o naufrágio do Stellar Daisy, a Polaris Shipping foi notificada pelo Ministério de Assuntos Marítimos da Coreia do Sul após terem encontrado 22 mudanças não autorizadas no navio Stellar Eagle, com bandeira das Ilhas Marshall, durante uma inspeção de segurança no porto de Rizhao, na China. O navio não foi autorizado a sair do porto até os itens de segurança estivessem dentro dos padrões.
O G1 procurou a empresa para obter informações sobre o caso, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
Navio encalhado no Maranhão
A empresa Polaris Shipping também é dona Stellar Banner que encalhou na costa do Maranhão, após ter sido carregado com uma carga de 300 mil toneladas de minério de ferro da Vale. A embarcação saiu do Terminal Portuário da Ponta da Madeira em São Luís, com destino a um comprador em Qingadao, na China.
De acordo com a Marinha do Brasil, há ao menos duas fissuras no casco do navio por onde a água do mar está entrando. O navio foi encalhado em um banco de areia pelo comandante para tentar evitar o naufrágio. Quatro rebocadores foram enviados para dar apoio a embarcação e resgatar os 20 tripulantes, que permanecem em uma área de segurança.
Um gabinete de crise foi estabelecido pela Marinha para tratar de possíveis danos causados pela embarcação. Além da carga de minério de ferro, o Stellar Banner está carregado com mais de 3 mil toneladas de óleo que, caso seja vazado, pode causar danos ambientais em toda a costa norte e nordeste do Brasil.
Nesta quinta-feira (27), a Capitania dos Portos do Maranhão e representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Vale e da Polaris Shipping se reuniram para traçar planos de desencalhe e resgate do navio. Os detalhes do plano não foram informados.
(G1/MARANHÃO)