
*Por Nile William
O PED é o grande exemplo que o PT oferece à democracia – a convivência harmoniosa de opiniões diferentes sobre o comando do PT
Os livros de história nos ensinam que o golpe militar de 1964 ocorreu em 31 de março. Porém, essa foi uma manobra utilizada pelo regime de exceção. O dia de fato do golpe foi 1º de abril, mas alegaram que ele ocorrera na noite de 31 de março. O motivo dessa manobra foi simples: as razões que motivaram o golpe de 1964 eram grandes mentiras.
No entanto, 51 anos após o golpe de 1964, as mesmas mentiras que derrubaram o governo democrático e legítimo de João Goulart foram utilizadas na tentativa fracassada de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023: um comunismo inexistente, motivado pela ascensão ao poder de um governo composto pelo campo popular.
O que mudou nesses 51 anos entre os golpistas do passado e os golpistas do presente é a qualidade intelectual: os golpistas de hoje negam a vacina (o que está trazendo de volta doenças como a poliomielite e o sarampo às nossas crianças), dizem que a Terra é plana e defendem as mais fantasiosas teorias da conspiração que dominam o submundo da internet.
O PT é fruto da resistência à ditadura militar. Não há, dentro dos quadros do PT, ninguém que tenha sido condescendente com um regime que matou, estuprou, assassinou, agrediu crianças e idosos. A ditadura militar foi um propósito construído pelo governo americano, em conluio com as elites brasileiras (que batem continência para a bandeira dos EUA), para impedir – vejam só – o desenvolvimento econômico do Brasil, sob uma perspectiva de capitalismo com soberania nacional. O golpe de 1964 foi um crime contra o país, pois afundou o Brasil na dependência dos EUA e do capital estrangeiro.
Posto isso, foram os governos do PT que pagaram a dívida do país com o FMI e ainda tornaram o Brasil credor. O protagonismo soberano que os governos do PT deram ao Brasil no cenário internacional é inédito. O Brasil passou a ser visto com nome próprio, e não como um dependente dos EUA, como fora nos governos militares e nos governos democráticos que os sucederam. Por isso, as elites serviçais do Brasil não perdoam o PT, e tentaram — sem sucesso — golpear a democracia.
Por ser o grande fiador da atual democracia brasileira, o PT dá exemplo internamente. Somos o único partido do país que elege diretamente seus dirigentes em todas as instâncias: dos diretórios municipais ao diretório nacional. Neste momento em que sou candidato à Presidência do PT pela oposição, inauguraremos a agenda do PT que queremos: as propostas necessárias para devolver ao PT o protagonismo político que tem no Brasil, mas que não tem no Tocantins.
O PED (Processo de Eleições Diretas) será a grande demonstração de como o PT é democrático: vamos mostrar à militância petista o PT que queremos, e o porquê de mudar e renovar de verdade o partido. No entanto, a divergência de opinião e o fato de ter como concorrentes os valorosos companheiros Diego Montelo, Itamar Bandeira e Jozafá Maciel mostram a riqueza do PT: a convivência harmoniosa de opiniões diferentes, porque a democracia impera na nossa casa.
A sociedade tocantinense observará com atenção e cuidado como o PT é diferente – e nada, absolutamente nada, quebrará a nossa unidade enquanto partido. A nossa candidatura é construída como um chamado ao diálogo, e não há eleição que me faça abrir mão dos meus princípios, sobretudo do respeito e do carinho que tenho pelos meus concorrentes, todos eles, inclusive, do meu apreço pessoal. Por isso, o PT mostra em casa como a democracia funciona.
O fortalecimento do PT contribui para o fortalecimento da democracia brasileira, e o nosso projeto que apresentamos às companheiras e companheiros dará as contribuições necessárias para o PT continuar , e mobilizaremos a militância petista, em um processo horizontal e construído pelas bases, para fortalecer o campo democrático-popular de esquerda, que garanta o aprofundamento das reformas estruturais que o Brasil tanto precisa para vencer a fome e a miséria, sob a liderança do nosso querido Presidente Lula.
Nile William é advogado, professor de Direito do IFTO e candidato a presidente do PT/Tocantins
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Voz do Bico. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para vozdobico@uol.com.br