
*Por Paulo Palmares
Há quase 20 anos nenhum governador termina mandato no Tocantins devido a afastamentos, renúncias e processo de impeachment: O último a concluir o mandato foi Marcelo Miranda, entre os anos de 2003 e 2006. Wanderlei Barbosa, afastado no último dia 03 por 180 dias, arrisca entrar na lista de demérito. Há como mensurar o quanto estas descontinuidades de governos, sucedidos por eleições na Assembleia Legislativa ou suplementares, causaram de prejuízos para o Tocantins? Com certeza deve chegar a cifras astronômicas.
O jogo segue...
Falta pouco mais de um ano para as eleições de 2026 e o carrossel da pré-campanha estava e continua a todo vapor. O hoje governador afastado, com índices de popularidade acima de 80% desfilava nos rincões do Tocantins levando a tiracolo Amélio Cayres, ambos do Republicano, deputado estadual e presidente da Assembleia legislativa o apresentando como seu ungido para ocupar a sala principal do Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos a partir de 1º de janeiro de 2027. Laurez Moreira (PSD), vice-governador e hoje governador interino também estava com o pé na estrada com o mesmo propósito, arrumando gente, costurando acordos políticos para formar seu palanque e se tornar competitivo para 2026. Cercada de nomes que poderão turbinar sua candidatura, a senadora Dorinha Seabra (UB) é outra que já está com um pé no palanque de 2026. Estes, claro, não serão os únicos, mas hoje os de maior visibilidade midiática.
O jogo mudou…
Vamos começar assim: Amélio Cayres, ex-prefeito de Esperantina, deputado estadual em seu 5º mandato, com histórico político centrado no Bico do Papagaio foi catapultado como pré-candidato a governador pelo deputado federal Alexandre Guimarães em um jantar em Augustinópolis em dezembro de 2024 e automaticamente ungido pelo mandatário do Executivo estadual, Wanderlei Barbosa. A pergunta é: Persistindo o afastamento do governador, Amélio Cayres terá condições políticas ou deseja ainda construir uma candidatura ao governo do estado? Sem os braços da máquina estatal terá ele, habilidade e densidade política de se consolidar como um nome viável politicamente para enfrentar o Palácio Araguaia? Wanderlei Barbosa voltando o plano de voo será o mesmo com os mesmos pilotos? São perguntas que não querem calar.
No comando…
O governador Wanderlei Barbosa não conseguindo graça da justiça [já levou um não do ministro Edson Fachin] e de fato ficando afastado por 180 dias conforme determinou a medida cautelar do STJ, Laurez Moreira findará o governo interino em março de 2026 e não desocupará a cadeira principal do Palácio sem estar abastecido de todo o combustível e armamento necessário para enfrentar qualquer força política que ameace seus desejos de esquentar o trono palaciano por quatro anos. Nestes seis meses crescerá e muito sua visibilidade política ampliando sua base de apoio em todos os circuitos e nessa trincheira estarão com ele nomes que pareciam a beira do precipício político, como os Abreu e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, coringa da política nacional.
Para refletir: Barbosa reassumindo com uma decisão judicial o findado os seis meses sem um afastamento definitivo voltará com sangue nos olhos, faca nos dentes pronto para massacrar politicamente quem ele por ventura julgar como seus algozes. Dificilmente ficará pedra sobre pedra, e, pelas suas falas, os eleitos para descer ao calabouço terão nomes, CPF e endereços fixos.
De longe…
Atentíssimos aos movimentos em campo, estarão a senadora Dorinha Seabra, as lideranças que a cercam especialmente de olho nos espólios deste mexido de poucos amigos, mas também àqueles que ficam atrás das cortinas ouvindo os buchichos ou longe dos combates esperando a fumaça baixar para na hora certa não subir no palanque errado.
De olho…
Uma coisa o eleitorado tem que ter em mente: ninguém pode brincar de ser candidato e muito menos brincar de ser governante. O estado precisa assumir um papel de liderança tanto na região norte como no cenário da União com o propósito de ser um indutor do desenvolvimento social e econômico respondendo positivamente às necessidades da população, do empresariado, dos geradores de cultura, etc. O que exige lideranças qualificadas e verdadeiros estadistas engajados na gestão pública.
Lembrando que o que se deseja de uma liderança pública é eficácia, ser multifacetada, equilibrar competência técnica com visão de futuro e ter capacidade de articular soluções que ultrapassem os ciclos eleitorais. Isso requer quebrar profundo paradigmas de nosso eleitorado, nunca esquecendo ou vendo como prioridade que esta ou estas lideranças públicas devem ter capacidades de gerir equipes, coordenar projetos e articular soluções para os problemas da sociedade, especialmente diante de desafios complexos como as inovações tecnológicas e as mudanças sociais da atualidade.
Se indo…
O certo é que o Tocantins, mesmo com estas turbulências, tem uma economia dinâmica e em acelerado crescimento, destacando-se pela forte agropecuária (soja e carne), modernização da infraestrutura logística e crescente participação do setor de serviços. O estado tem o segundo maior PIB per capita da Região Norte e apresenta um dos principais crescimentos do PIB do país nos últimos anos, impulsionado por políticas de incentivo, atração de investimentos e localização estratégica.
Paulo Palmares,63, é editor do portal Voz do Bico
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