
*Por Angelo Cavalcante
Sim…
…”Pariu Mateus” e não sabe embalar; Inês está morta mas o cadáver precisa, é claro, ser devidamente enterrado… Quem o fará? E não dá, nunca dá para soltar o brado: “O filho é teu… Toma!”.
No que se refere, no que respeita ao mundo social e público somos, aceitemos isso ou não, um só!
Pelas bandas de cá “deus nunca ajuda quem cedo madruga!”; A galinha nunca encherá o papo no “grão em grão” e; a infame regra e que vale muito é “pouco pirão meu prato primeiro”.
As ruas estão entupidas de gente desocupada, nas praças a informalidade é um império vigoroso onde velhos abandonados e decadentes vendem água de coco, livros velhos e rotos ou simplesmente esmolengam por alguma moeda.
Na outra esquina, um oferece panos de prato, morangos envelhecidos ou guloseimas arriscadas e sofríveis; na calçada da igreja, outra pede doações para missionárias que atuam com crianças refugiadas da Síria, do Iraque ou do Sudão do Sul.
Um grupo de religiosos do fundamentalismo católico, trajado com indumentárias ridículas do medievo anunciam escandalosos, de novo anunciam, o “fim do mundo” por conta do pecado da luxúria e da fornicação.
Comerciantes são indiferentes; a classe média nega a tétrica paisagem social de pobreza, miséria e infortúnio.
Empresários do agronegócio, em que pese os respectivos e avantajados buchos, desfilam com RAM’s de seiscentos mil reais; ressentidos e cheios de mágoas, se negam a retirar os adesivos do repulsivo ex-presidente e derrotado pelo metalúrgico advindo dos Garanhuns de Pernambuco.
Não… Não é verdade que “boa romaria faz quem em sua casa está em paz”; aliás, nunca as residências particulares foram tão ameaçadas; não há dia em que crianças, velhos e pessoas especiais não peçam um pão, uma porção de leite ou algum naco de dinheiro.
Definitivamente, não é todo “trabalho que dignifica”; ao fim, terceirizados, uberizados e trabalhadores esporádicos estão aí, entre crises de depressão, ansiedade e surtos de loucura, a provar o quão inviáveis são certas formas e modalidades de trabalho.
É mentira que “todos os políticos são iguais”; eu mesmo conheço alguns – de fato, bem poucos! – e que devotadamente dedicam suas vidas, feito sacerdócio, às melhores e mais sinceras causas sociais e populares.
Sim… É verdade que matamos mulheres, gays, negros, trabalhadores, crianças, nordestinos e nossas sobras e miúdos ativos ambientais. O bem estranho é que ainda buscamos culpados!
Sabemos quase nada sobre o mundo do trabalho; “mais-valia” é grego; capitalismo é javanês em braile e comunismo é “palavrão”.
A ignorância é um colosso, um titã; de longe, o maior patrimônio do Brasil e triste e desgraçadamente o bolsonarismo ainda vive!
Estamos por um fio…
Angelo Cavalcante – Economias, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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