Voz do Bico

A Caminhada Quixotesca de Nikolas Ferreira em Busca de Visibilidade Política

Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) . - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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Júlio César Cardoso. – Foto: Arquivo pessoal

*Por Júlio César Cardoso

A marcha a pé de Minas Gerais até Brasília, promovida pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), como forma de protesto contra as decisões do STF que condenaram os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e, em especial, contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, revela-se uma iniciativa marcada pelo oportunismo político. O verdadeiro propósito dessa jornada não é a defesa de causas de interesse nacional, mas sim a busca por visibilidade e autopromoção.

Longe de representar um gesto nobre, a marcha configura um desserviço à nação, pois confronta o Estado Democrático de Direito e o Supremo Tribunal Federal, ao mesmo tempo, em que se solidariza com indivíduos que atentaram contra a pátria. Esses transgressores, a serviço de Jair Bolsonaro, tentaram subverter a ordem constitucional em um golpe fracassado, desarticulado pelas próprias trapalhadas de setores militares alinhados ao ex-presidente.
A manifestação do deputado, portanto, não passa de uma provocação à sociedade, incitando ressentimentos em torno de um episódio que já foi devidamente equacionado pela Justiça, com a responsabilização e punição dos envolvidos.
A marcha de Nikolas pode ser interpretada como uma encenação delirante, comparável às alucinações de Dom Quixote diante dos moinhos de vento: um espetáculo vazio, sem significado republicano, mas “carregado de ranço” e propaganda pessoal.
O que também chama a atenção na chamada marcha do ridículo é a participação de alguns parlamentares que revelam falta de compromisso com a defesa de causas verdadeiramente nobres e de interesse nacional, como a erradicação da miséria e a busca pelo pleno emprego.

Júlio César Cardoso é Servidor federal aposentado

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