*Por Angelo Cavalcante
Por quatro anos o Brasil foi gradativa e paulatinamente desligado, desconectado do mundo internacional e das coisas internacionais.
Por pouco… Bem pouco Bolsonaro não enviou todo o continente do Brasil às superfícies de Marte!
Não é uma troça, uma brincadeira… Bolsonaro nos deixa um efetivo legado, para além dos milhares e milhares de mortos por covid-19; essa herança pérfida é justamente a desconexão brasileira do palco, do cenário internacional de cúpulas, acordos, diálogos e tratados.
Não por acaso a chancelaria brasileira sob Bolsonaro, fora ocupada por subalternos místicos, ocultistas e é claro, incompetentes; uma gente densa, obesa de superstições, sem qualquer estratégia de inserção ou reinserção do interesse e da real vontade brasileira nos fluxos e circuitos da economia e das grandezas globais.
Dessa forma, fomos lançados em um limbo, em um não-lugar da política internacional, em espécie de purgatório sub-nacional a lavar a ignomínia dos nossos pecados políticos e eleitorais.
Assim, temas que interessam diretamente ao Brasil foram relegados ou entregues a sanha de impérios de outros quadrantes globais.
Digam uma coisa… Que dizer da América Latina, da sua gente, de suas fontes e mercados? Não nos interessa?
Como uma área de mais de 21 milhões de quilômetros quadrados; contendo um vasto contingente de mais de 550 milhões de seres humanos pode não nos interessar?
Essa gente come! Precisa de roupas, remédios, livros; necessita de ferramentas, máquinas, veículos, grãos, fibras, óleos e graxas. Conseguem imaginar, conceber o que isso representa do ponto de vista econômico?
Pobre Brasil… Pobre democracia brasileira!
O bem conhecido “Acordo de Paris” é uma revolução em favor da ecologia global. Surge e desponta da necessidade de se combater as imensas e graves alterações climáticas e que estão a revirar o planeta. Como tal, estabelece e prevê metas para a redução da emissão de gases causadores do dito “efeito estufa”.
Para a vigência do Acordo foi necessário que nações industrializadas e responsáveis por 55% das descargas e emissões desses mesmos gases de “efeito estufa” garantissem, de fato, sua ratificação.
Finalmente, foi em 12 de dezembro de 2015, que o Acordo foi assinado e, até 2017, 195 países já o haviam assinado e 147 o ratificaram.
A chamada “economia verde” ou essa nova economia saída a partir de diálogos e consensos globais como o Acordo de Paris garante centro e efetiva importância para o Brasil.
As razões nos são bastante claras! Não há país no mundo com a pluri-bio-diversidade e com a efetiva importância eco-ambiental do Brasil.
Negócios bilionários a envolver crédito de carbono ou políticas de manutenção da Amazônia e de nossos biomas adentram com peso e muita influência na pauta ambiental e econômica do mundo.
Bolsonaro, reparem, não só não reconheceu o Acordo de Paris como tratou de desmantelar, desfazer todas as políticas e dispositivos de proteção até então existentes. Rasgou acordos, tratados e negócios; desmantelou o Ministério do Meio Ambiente, o IBAMA, o ICM-BIO e todas as polícias ambientais… Enfim… Foi como um imenso e arrasador asteróide de fogo e que colidiu sobre matas, florestas e águas brasileiras!
Aliás, o genocídio do povo yanomami é objetividade saída dos conceitos, das elaborações de política ambiental e internacional e advindas do juízo nefasto, perverso e mal de Jair Bolsonaro.
A tarefa da diplomacia brasileira sob Lula da Silva opera como se começasse do seu “zero”!
Teremos que fazer um períplo pelo mundo nos anunciando, nos rearticulando e retornando a nação às teias do mundo internacional.
Importante?
Muito importante… Estaremos em conselhos para discutir e reprovar guerras e conflitos; em outros para aprovar fundos e auxílios para a África, o sudoeste asiático ou América Latina; em outras câmaras iremos tratar de migração, direitos humanos e do combate ao flagelo da fome e que avança feroz sobre os habitantes do mundo.
Isso… ISSO… É a moderna economia global, o novo e atual padrão de existência econômica; o mundo diplomático funciona assim… E fugir dessa realidade é como construir muralhas gigantescas e intransponíveis para o país.
Bolsonaro quase desfez nossa nação e sua reconstrução será longa e árdua!
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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