*Por Dr. André Luiz
Por muitos anos, o Bico do Papagaio permaneceu esquecido, à margem dos investimentos estaduais e federais. No entanto, com a chegada da Faculdade do Bico do Papagaio e a implantação da Unitins em diversas cidades da região, iniciou-se uma verdadeira revolução educacional. O acesso ao ensino superior transformou vidas, abrindo novas oportunidades e preparando uma geração de profissionais qualificados. Agora, o desafio é transformar esse avanço em um motor de desenvolvimento econômico sustentável, fortalecendo setores estratégicos como a agricultura familiar, a pecuária e as pequenas indústrias.
A educação foi o primeiro passo. Agora, é hora de investir na estrutura produtiva do Bico do Papagaio, criando condições para que empresários, produtores rurais e trabalhadores possam prosperar. O setor de serviços precisa ser potencializado, assim como a bacia leiteira, o gado de corte e as pequenas indústrias, garantindo que o crescimento econômico alcance todas as camadas da população. Além disso, o fortalecimento da agricultura familiar deve estar no centro desse progresso, pois é dela que vem a segurança alimentar, o emprego no campo e a base para um desenvolvimento sustentável.
Para traçar um caminho sólido, podemos olhar para os exemplos bem-sucedidos de Santa Catarina e Paraná, onde a agricultura familiar é a base da economia rural. Em Santa Catarina, mesmo com um território pequeno, a produção agrícola é altamente eficiente, impulsionada por tecnologia, cooperativas e políticas de incentivo. A pecuária leiteira e a avicultura são referências, garantindo não apenas o abastecimento interno, mas também exportações para diversos mercados. No Paraná, a força das cooperativas permite que pequenos produtores tenham acesso a insumos de qualidade, tecnologia de ponta e infraestrutura eficiente, garantindo preços justos e crescimento sustentável.
O Bico do Papagaio tem terras férteis, um povo trabalhador e um potencial agrícola gigantesco, mas ainda enfrenta barreiras que precisam ser superadas. Entre elas, a falta de incentivos fiscais, o crédito rural limitado e a deficiência na infraestrutura de transporte e comercialização. Muitos produtores locais lutam para escoar sua produção e obter preços justos, o que desestimula o crescimento do setor.
Para transformar essa realidade e tornar o Bico do Papagaio um polo de desenvolvimento sustentável, algumas medidas são essenciais:
• Fortalecimento das cooperativas rurais, garantindo que pequenos produtores tenham mais força no mercado e acesso a insumos e tecnologia.
• Ampliação do crédito rural com juros subsidiados, permitindo que agricultores invistam em modernização e aumento da produtividade.
• Melhoria da infraestrutura e logística, para facilitar o escoamento da produção e evitar perdas no transporte.
• Incentivos fiscais para atrair agroindústrias, agregando valor à produção local e gerando empregos.
• Capacitação técnica e inovação no campo, para tornar a agricultura mais eficiente e competitiva.
• Expansão da bacia leiteira e do gado de corte, fortalecendo setores que já possuem grande relevância econômica na região.
A transformação do Bico do Papagaio já começou com a educação. Agora, é preciso integrar conhecimento e desenvolvimento, garantindo que a região alcance seu verdadeiro potencial. Com políticas públicas eficazes e o compromisso de toda a sociedade, podemos construir um futuro próspero, sustentável e inovador, onde a riqueza do campo se traduza em qualidade de vida para toda a população.
O momento de agir é agora. O Bico do Papagaio tem tudo para crescer – basta garantir as condições certas para isso.
Dr. André Luiz Sousa Lopes é advogado
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