Voz do Bico

Democracia e o reacionarismo bolsonarista

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Valdo Rosario Sousa. – Foto: Arquivo pessoal

*Por Valdo Rosário Sousa

A partir de dois projetos políticos antagônicos – e não similares – no atual processo eleitoral no Brasil, precisamos emponderar nossa resiliência para lutarmos contra qualquer projeto político de poder que ameaça as instituições republicana, a democracia e os direitos coletivos e individuais.

Temos um grupo de candidatos progressistas que são de esquerda, centro-esquerda, direita, centro-direita; que a maioria estão aliados com o projeto político do presidente Lula do PT. Contra um projeto político autoritário e fisiológico de vários candidatos aliados com o bolsonarismo. No entanto, muitos não tem a coragem de assumirem que são bolsonarista, tentam ludibriar os eleitores que não são reacionários, se camuflam de dóceis ovelhas, mas são lobos famintos. Lembrando que para ser progressista e defender o estado direito, não precisar ser filiado ao PT e outros partidos de esquerda, até porque a democracia não é propriedade de um grupo exclusivo, e sim a garantia de uma civilidade humana.

Como dissera o filósofo francês J. P. Sartre “somos condenados a sermos livre”. Essa condenação não é só pela força física e poder autoritário; mas também pelo poder psicológico, pela cultura, política, meios de comunicações, redes sociais e religião, todavia, os seis últimos itens, também podem ser meios para nos libertarmos do poder autoritário e fisiologista/demagogo.

Quando Sartre afirma que somos condenados a sermos livre, ele se refere que nossa liberdade é originada de duas condições existenciais, que são: interna e externa. Portanto, a liberdade na condição interna, somos livres para escolher, porém condenados a conviver com nossas escolhas e quando não escolhemos, alguém faz isso por nós; entretanto, a liberdade também tem outra base na dimensão externa; como afirmou Aristóteles: o homem é um animal político, porque vive na “polis” (cidade). Assim, precisa conviver com amigos, inimigos, correligionários e adversários políticos; nesse contexto a liberdade se caracteriza pela questão externa. Nessas condições à liberdade não é fazer aquilo que somente me agrada, e sim o que beneficia a maioria na polis, mas também respeitando as minorias.

Ser livre, muitas vezes, implica em deixar de fazermos aquilo que instintos animalescos nos induz, e fazer ações que nem sempre são prazerosas, mas que são boas para o bom desenvolvimento da polis. A política implica em saber conviver com o diferente, não precisamos transformar nossos adversários em inimigos para justificarmos a sua eliminação.

Nesta eleição, não é a luta de dois polos democráticos, contudo uma batalha da permanência de um sistema republicano democrático e outro grupo que defende a corrosão das instituições republicana; uma “pseuda democracia” fundamentada no autoritarismo, numa liberdade pessoal de alguns. O bolsonarismo nunca foi o movimento democrático, mas sim a busca do domínio e corrosão das instituições republicanas para criar uma ilusão de Estado Democrático.

Nós de esquerda, centro-esquerda, progressistas e direita democrática, neste processo eleitoral buscamos candidatos que busquem garantias de programas sociais, investigação e punição aos criminosos, tanto de crimes comuns, mas também os líderes de organizações criminosas; apoio ao agronegócio, agricultura familiar levando em conta a preservação ambiental; uma educação e cultura libertadora; soberania nacional contra poderes estrangeiros; aprovação da PEC 5/2 – que termina a redução da carga horário de trabalho de 44h – para 40h semanal, sem redução de salário, tornado obrigatório o trabalhador ter direito a dois dias descanso semanal.

O bolsonarismo defende a manutenção da escala 6/1 (o trabalhador continuar somente com um dia descanso semanal). Mas matem um discurso falso que é o de defender o trabalhador, que é contra a corrupção, sendo que seu principal represente, o senador e candidatado a presidente pelo PL, Flávio Bolsonaro, recebeu mais de R$ 70.000.000,00 do banqueiro – que se encontra preso – do Banco Master Daniel Vorcaro, para fazer um filme sobre o ex-presidente da república, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro. Diante dessa celeuma bolsonarista, alguém pode fazer a seguinte pergunta: adquirir patrocínio de um banco para fazer um filme é crime? – a resposta, é não. Todavia, o problema é que até hoje o senador Flávio Bolsonaro não forneceu a contabilidade do dinheiro e continua a dúvida – Parte aonde o dinheiro foi mesmo? Para o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e outros gastos da família Bolsonaro? Para caixa 2 da campanha atual de presidente do senador Flávio Bolsonaro? Sendo comprovado alguns desses itens, passa ser crime, de lavagem de dinheiro, improbidade administrativa e formação de quadrilha. É, exatamente por isso, que o senador Flávio Bolsonaro se tornou investigado no caso Master, por fortes indícios de vários crimes; o surrealismo jurídico e político neste caso é que foi o Ministro André Mendonça – que foi alçado ao STF por indicação do bolsonarismo – porém, ele autorizou a investigação contra Flávio Bolsonaro

Nós progressistas defendemos um Estado com autonomia em suas instituições republicanas, que todo suspeito de crimes seja investigado, garantindo o direito à defesa. Infelizmente, para o bolsonarismo a justiça é acusar e condenar os inimigos, independente se são culpados ou não e absorver os aliados, mesmo sendo criminosos.

A liberdade bolsonarista não é fundamentada no benefício da polis, mas sim nos desejos pessoais, na perseguição dos adversários, na subserviência a poderes estrangeiros, principalmente ao Estado Unidos, num Estado teocrático, na eliminação de religiões de matrizes africanas, indígenas e ateus; um falso moralismo religioso e familiar, educacional e cultural.

É importante saliente que o bolsonarismo nunca foi de direita, e sim reacionários, com ideias neofacista, defensores da necropolítica, do anarcocapitalismo, normalização do ódio com os adversários; inutilizam-se da liberdade democrática para corroer as instituições republicanas e a própria democracia; defensores da liberdade para os pares e transformam os adversários em seres inferiores, que por isso precisam ser eliminados. Nesse contexto, o bolsonarismo pode ser resumido neste versículo bíblico: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e toda podridão. Assim também sois vós:  por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” (Mt, 23, 27-28).

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