
*Por Zeca Tocantins
Vivemos num mundo de superficialidades, por isso a imprensa, naturalmente, pensando no seu espaço publicitário alardeia os vencedores. Os milhares de perdedores são abandonados como se não fizessem parte do jogo. Mas, é justamente neles que encontramos nossas melhores respostas, muitos gostariam de dizer suas verdades; o quanto foram traídos pelas chamadas lideranças políticas, por falsos eleitores e, que além da decepção ficaram enfiados em dívidas até o pescoço.
O Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) dispõe de mais de 16 programas buscando garantir renda básica, segurança alimentar, habitação, educação, e creio não existir nenhum pobre nesse país sem ser beneficiário. É inegável que a política do Partido dos Trabalhadores alcançou a massa dos mais necessitados, mas pelo visto isso não bastou. Mesmo alcançando alguns benefícios, o cérebro das pessoas permaneceu no mesmo estágio, não evoluiu, não aprendeu analisar, a reconhecer. O nível cultural permaneceu o mesmo, alienados pela religião e pela crença nos jogos de azar.
Por outro lado, sempre existe o outro lado, o Partido dos Trabalhadores chegando ao poder maior, preferiu o jogo das alianças, dos conluios partidários, sem fortalecer as bases necessárias a formação de novas lideranças. Tomado pela vaidade do poder, esqueceu a autocrítica, tão valiosa para a projeção de novas conquistas.
Há estudos psicológicos afirmando que muitos escravos querem ser senhor, não para mudar a maneira de convivência, mas para bater com mais força, apenas uma troca de lugares, não uma evolução social. Assim, boa parte dos atendidos sociais não mudaram sua compreensão, querem alcançar padrões elevados, mas não para construírem uma nova sociedade, onde os valores sejam respeitados e as oportunidades sejam oferecidas com a mesma igualdade. Querem servir a elite, querem ser um deles, muitos destes, hoje em lugar de destaque, conquistado com tanto esforço, com bons salários e cargos importantes, acabam enveredando pelos caminhos da corrupção.
Ainda temos um segundo turno, são dois caminhos totalmente diferentes e a escolha é sua. Esse pequeno gesto diante das urnas não vai dizer apenas quem você quer, vai dizer sobretudo quem você é. Talvez você seja rico, formado em universidade, ou apenas um pobre analfabeto; a hora é de saber se houve alguma evolução humana em você. A sociedade sem senhores e sem escravos, sem ricos arrogantes e sem pobres bajuladores ainda precisa ser construída. Talvez uma conversa descontraída com os chamados derrotados desta eleição nos leve a ser operários dessa importante construção.
Zeca Tocantins é Cantor. Compositor, Poeta.
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