
*Por Angelo Cavalcante
Tendemos a racionalizar tudo ou quase tudo… E abobalhadamente, acreditamos piamente de que isso nos salvará das lástimas do existir.
Pois sim… Isso, de algum modo, nos protege, nos acalma e tranquiliza; não por menos… Superamos convenções, questionamos tradições e redefinimos olhares e perspectivas. Nessa construção nos colocamos a infinitamente relativizar um mundaréu de coisas.
Ao fim dessa reconstrução de signos e significados, em foro íntimo e bem pessoal, dizemos, afirmamos a nós mesmos de que “estamos protegidos” dessas “bobagens mundanas”.
E vem o humorista e solta: “sabe de nada, inocente!”
Ao fim, a razão cria crenças! Embora a marcha concreta do mundo siga dura e resoluta em outra direção…
O dito dia dos pais é dessas datas, instantes e sensibilidades!
Longe de mim ficar destilando suposta erudição; erudição e que por sinal, não tenho mas, de verdade, se você possui, ainda possui seu pai… Aproveite esse dia para estar com ele.
Olha…
A vida é breve como seus instantes são muito breves… Fica com seu pai; se houver mágoa, supere; em caso de queixas, caso consiga, tente esquecer; não valorize desavenças e desencontros e busque, de alguma forma, algum tipo de unidade.
É o que resta!
Não potencialize contradições; elas existem e seguirão existindo. Foque, mire no que há em comum, naquilo que coincide… Isso é importante, sábio e inteligente.
Fique com seu pai!
Se encontrem, joguem conversa fora, sorriam, brinquem… O tempo é ligeiro e as coisas passam em tal velocidade que os miúdos e fiapentos sentidos humanos simplesmente, não possuem a menor condição de acompanhar; por isso, vale o abraço, a piada, a boa gargalhada e um dia de encantos e alegrias.
Fique com seu pai enquanto ele está por aqui porque depois… Depois fica a saudade… Só a saudade!
E nada pode ser pior do que a saudade como culpa, remorso ou arrependimento.
Há, é claro, a boa saudade e cheia, densa, recheada de boas lembranças; onde a cada “filme” que passa na sua cabeça você lembra, recorda do tipo, do jeito e dos trejeitos do seu “velho”.
E acredite… Chegará um momento em que essas lembranças te serão força e combustível contra a tristeza, a solidão, a depressão ou o inferno do Alzheimer.
Fica com seu pai! Ele vai gostar!
Não duvide… Compre um bom vinho ou umas latinhas de cerveja e passem o dia juntos jogando conversa fora; falem dos parentes, da espinhosa política brasileira, do seu time de futebol ou daquele bife acebolado e irresistível.
Faça isso…
Antes de voltar para casa, dê um abraço apertado no seu pai, sinta seu cheiro e o tamanho de sua alegria por você ter estado com ele.
Fica com seu pai… Deixa o relatório, a planilha e o contrato a ser elaborado para depois… Fique com seu pai e tenham um excelente dia!
Nas minhas andanças e em certa feita, ouvi de um sertanejo do Piauí a frase e que mexeu com meu juízo; sobre os pais, me disse esse senhor: “meu fii, para o pai, a gente deve nem que seja o feitio”.
Eu concordei!
Vejam só… Eu já não tenho meu pai… Meu pai está morto! Nunca mais o vi, nunca mais estive com ele; ele não viu meu filho…
Eu o perdi em 2020, no comecinho da pandemia de covid-19 e, desde então, o dia dos pais para mim é instante de silêncio, discrição e contemplação. Já não tenho meu pai para um abraço, uma festinha surpresa ou um farturento almoço familiar.
Assim, de verdade, se esse texto faz algum sentido para você… Pensa nisso! O dia dos pais está chegando e…
Fique com seu pai!
Feliz dos pais!
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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