Voz do Bico

Dragão alado!

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O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. – Foto: © Wilson Dias/Agência Brasil

*Por Angelo Cavalcante

Roberto Campos Neto no governo Lula é o “estranho no ninho”!

É espécie de “mistura” de água e óleo! Nunca acontece… É assim como juntar cobra de brejo com cavalo pangaré… Não vira! Não serve para o seco tampouco para o molhado; não puxa carga e nem serve como isca!

Outro erro comparativo crasso é fazer paralelo entre o atual presidente do Banco Central (BACEN) com seu avô, o icônico economista Roberto Campos, um dos estelares expoentes do liberalismo brasileiro.

Campos Neto, observem… É economista, nascido no Rio de Janeiro, tem 53 anos e estudou na pomposa Universidade da Califórnia, o centro acadêmico possuidor da maior quantidade de laureados pelo Prêmio Nobel em todo o mundo.

Tem toda sua vida profissional ligada a grandes bancos, financeiras e corporações como o Bozano Simonsen e o Santander. Sua atuação ou relação com temas do desenvolvimento nacional, com efetivas questões da soberania do povo brasileiro é NENHUMA!

Seu já falecido avô, o muito conservador “Bob Fields” era uma direita de cepa distinta, diferenciada; burguês até o tutano dos ossos mas que sempre lançou pitadas de nacionalismo, de interesse nacional sobre o debate político e público. Esteve, reparem, com Vargas; também atuou nas intrincadas elaborações do Plano de Metas de JK e; na própria criação do BNDES.

O “yuppie” que preside o muito e muito importante Banco Central tem sob seu comando das principais e mais determinantes instituições de política econômica de todo o hemisfério sul.

Cabe a Campos Neto e a sua equipe assessora e de tecnocratas definir a política monetária brasileira, nossas taxas de juros; o fluxo, a quantidade e a velocidade dos dinheiros e que correm em nossa praça.

Isso… Isso é de seriedade ABSOLUTAMENTE central!

É que atinge todo mundo, sobretudo, os trabalhadores, o pessoal da economia real e produtiva e servidores públicos.

É bem claro que as giras, circulações e fruições do nosso mundo monetário atinge de frente, de fronte e a depender, de morte, o necessário e fundamental mundo da produção, a geração real de valor e seus férteis e benfazejos efeitos sobre a totalidade dos processos econômicos.

Um exemplificado bem ligeiro a esse respeito é pensar no restaurante do senhor Paulo; ali, ele vende uma comida muito boa; são carnes certificadas e muito bem preparadas; uma vasta mesa de verduras e advindas das hortas puras e limpas do MST e outra mesa cheia, repleta de frutas frescas.

É um esplendor!

O restaurante, mesmo pequeno, é sucesso garantido!

Ocorre que nosso dedicado Paulo identificou que já não consegue atender sua clientela com a atual estrutura; então, não tem jeito, precisa mesmo ampliar seu salão, comprar novos equipamentos, mobílias, um veículo furgão, pratos e talheres e ao fim, contratar pelo menos, seis funcionários.

Paulo, sério e devotado no que faz, conseguiu contratos com hospitais, escolas, postos de saúde e universidades e está na encalacrada do “crescer ou crescer”.

Nosso bom empreendedor vai, é claro, verificar financiamentos! Vai no banco, conversa com seu gerente, ouve de taxas, prazos, carências e possibilidades.

Ao fim… Paulo sai triste e chateado do seu banco de décadas. Não conseguirá tomar esse necessário empréstimo porque os juros, as taxas de juros, o preço do dinheiro e advindo do BACEN, desse mesmo BACEN, gerido e conduzido pelo senhor Campos Neto, impede que um pequeno empresário como Paulo acesse esses capitais.

É que o foco desse Banco Central sob Neto é a lógica monetarista e marginalista de bancos, corretoras e financeiras; o “bancão” não faz, não realiza um único movimento senão para a fortuna e grandeza de grandes acionistas daqui e de alhures.

E quanto ao nosso bom amigo Paulo? O proprietário do restaurante?

Bom… Está impedido de crescer, está bloqueado e empatado porque suas movimentações, em que pese serem boas e promissoras, não alcançam os juros compostos e replicados e que determinam nossa própria atividade econômica. Por sinal, não nos esqueçamos de que temos das mais elevadas taxas de juros do planeta.

Ao fim, Campos Neto tem as condições e o condão de, de fato, atravancar, bloquear toda a saraivada de investimentos sugerido e indicado pelo Governo Lula.

Um dígito… Só um dígito na elevação das nossas já danosas taxas de juros e o atual governo estará todo – TODO – inviabilizado. E isso não é exagero!

Lula deve intervir imediatamente nessa decisiva instituição pública ou…

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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