
*Por Paulo Mello
Pouco mais de uma semana depois das eleições de 2020, ainda circulam várias especulações sobre a legitimidade do processo eleitoral deste ano. Isso tomou uma proporção nacional por conta de um atraso na apuração dos votos e por conta de um possível ataque virtual que levou ao vazamento de dados de 2001. Esse ataque foi anterior às eleições deste ano e não atingiu o resultado delas, sendo isso admitido pelos próprios invasores.
A apuração dos votos em 2020 foi feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) como nos anos anteriores, mudança que foi tomada na gestão da ex-presidente do TSE, Rosa Weber, com intuito de conter gastos e também como recomendação da perícia da Polícia Federal.
O atual presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, não simpatizou com essa nova opção de apuração. Segundo ele, essa mudança pode estar na origem da instabilidade sofrida na apuração. Para a Justiça Eleitoral, o atraso foi uma falha técnica no supercomputador que processa a totalização e os resultados apurados não sofreram qualquer modificação.
Infelizmente, em todos os anos eleitorais a desinformação atinge milhares de pessoas com possíveis fraudes nas eleições. Desta vez não foi diferente, muitos desses conspiradores precisam apenas de um motivo qualquer para conseguir levar muitos leigos a acreditarem nessas suposições. Alguns desses sujeitos são candidatos e apoiadores decepcionados com o resultado das urnas, e tentam encontrar uma justificativa com a baixa votação que obtiveram.
Desde o início do ano, as eleições de 2020 vinham sendo um assunto importantíssimo entre a população brasileira. As polêmicas começaram com o adiamento das eleições, e agora com o término do processo eleitoral, surgindo “reinvindicações” para uma nova contagem de votos.
Aos que não confiam na apuração, devem se certificar da segurança da votação procurando a Justiça Eleitoral. Porém, o esforço gasto para tal feito poderia ter sido usado no combate à compra de votos e aos abusos cometidos por vários candidatos eleitos. Esse sim, é um grande problema que interfere na lisura do processo eleitoral.
Paulo Mello é consultor político com capacitação em comunicação política e legislação eleitoral.