
*Por Valdo Rosário
Manhã de 25 de novembro de 2020
Os deuses gregos, indígenas e africanos do futebol
Recolheram para o Monte Olimpo um gênio temperamental do futebol
Maradona está no seleto grupo de craques:
Friedenreich, Leônidas da Silva, Heleno de Freitas, Ademir Menezes, Obdulio Varela, Nilton Santos, Puskás, Péle, Garrincha, Di Stéfano, Aranha Negra, Cruijff, Rivelino, Mario kempes, Zico, Gerd Müller, Paolo Rossi, Platini, Romário, Baresi, Ronaldo, Zidane, Messi, Cristiano Ronaldo e tantos outros
Os gênios não precisam da arte… Eles são a própria arte
Maradona não dependia dos burocratas do futebol
Os burocratas dependiam dele para esconder sua própria mediocridade
O craque argentino jogava com a bola e sem ela
Ele transformava um simples jogo em espetáculo teatral
Uma bola de couro em seus pés virava sonhos mágicos de todas as crianças e adultos
Maradona jogava com os pés, “La Mano de Dios”, razão, mas principalmente com a paixão
Ele, Heleno de Freitas e Garrincha são a essência do futebol moleque, irresponsável, malandro, todavia, belo
Eles viveram, jogaram e feneceram de acordo com suas convicções futebolísticas e profanas
Maradona nunca se adaptou às regras do futebol burocrático
Ele só precisava da bola e um pequeno espaço para fazer arte
Ele sempre foi o anjo decaído do futebol e dos bons costumes
Sempre foi um pervertido e devasso existencial
“Humano, demasiadamente humano”
Nunca teve compaixão e piedade dos seus adversários
Só foi perfeito com a bola, campo, traves e os adversários para dançarem de acordo sua Orquestra Sinfônica da bola
Maradona era temido pelos zagueiros, boleiros, comentaristas esportivos e também por muitos políticos
O futebol arte chora a perda de uns dos principais representantes
Nesse momento Garrincha e Maradona em algum lugar do universo
Eles devem estar atormentado outro monstro do futebol, Nilton Santos, com seus dribles imortais
Maradona era gênio nas quatro linhas e venenoso fora delas
Ele na política era de esquerda, centro ou direita?
Isso não importa, ele sempre foi autêntico em suas convicções futebolísticas e políticas
Que o digam Fidel Castro, Maduro, E. Morales, Lula e Che Guevara
Maradona é a prova de que a Terra não é plana
E de que a bola é redonda nos pés dos gênios
De que a Terra se torna plana e a bola torna-se quadrada
Na crença do senso comum e nos pés dos pernas de pau
Maradona se aproxima da personificação do mito grego
Um ser completo de virtudes e defeitos
Genialidade e fragilidade… Simplesmente humano, mas também divino
Só Maradona na sua partida final
Conseguiu unir os torcedores rivais do Boca Jr. e River Plate.
Valdo Rosário é mestre em Filosofia, escritor e professor .