Não às “reformas”

segunda-feira, 19 de junho de 2017 às 15:37
276 Visualizações

*Por Dr. Rosinha

Publicidade

No ?p?refácio ?à edição em espanhol, ?de ?2015, ele chama a atenção para a realidade atual: ?estamos vivendo momentos de grande comoção, incluindo a verdadeira possibilidade de um colapso, assim como a ameaça crescente dos sistemas repressivos de controle social para conter as contradições explosivas de um capitalismo global que causa profunda deslocação estrutural, ambiental e cultural? ?(tradução livre).

Segundo Robinson?,? a crise se caracteriza por seis aspectos. Rapidamente ?os ?registro? aqui?: 1) Ecológico – ?“O sistema chega rapidamente aos limites ecológicos da sua reprodução; possivelmente chegaremos a um ponto sem retorno?”;? ?(2) Desigualdades globais sem precedente; (3) “?A magnitude dos meios de violência, o alcance deles, e sua concentração em mãos de pequenos grupos poderosos, sem precedentes na história”?; (4) ?“Estamos chegando ao limite da expansão extensiva e intensiva do sistema capitalista ?[…] ?Já não há mais territórios para conquistar, o capital alcança ?em ?profundidade jamais vista e toda a vida social se mercantiliza?”?; (5) Aumenta?m? as filas dos marginalizados: os que não têm acesso ao trabalho ?são? condenados a serem “supérfluos”, sujeitos a “sofisticados sistemas de controle e repressão – até o genocídio –? ?enfrentando um ciclo de perdas-exploração-exclusão?”?; e (6) O colapso econômico de 2008 mostrou o desajuste entre a globalização econômica e a autoridade baseada em um Estado-Nação.

Desses seis aspectos?,? comento o segundo: as desigualdades.

A Oxfam publicou relatório no início deste ano em que informa que os oito (bilionários) homens mais ricos do mundo controlam a mesma riqueza que a metade mais pobre da população do mundo (Larry Elliott, The Guardian, http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/As-oito-pessoas-mais-ricas-do-mundo-tem-a-mesma-riqueza-que-os-50-mais-pobres-/7/37577).

São eles (homens e brancos): Bill Gates, da Microsoft; Amâncio Ortega, da cadeia de moda espanhola Inditex; Warren Buffet, investidor e chefe executivo do Berkshire Hathaway;? ?Carlos Slim Helú, telecomunicações e dono do conglomerado Carso; Jeff Bezos, da Amazon;? ?Mark Zuckerberg, ?do ?Facebook; Larry Ellison, da Oracle; e? ?Michael Bloomberg, ?da ?Bloomberg?, agências de? notícias e serviço?s? de informação financeira.

Esses homens t?ê?m em comum o domínio da informação, da tecnologia e da especulação financeira. O mesmo t?ê?m os bilionários brasileiros, os irmãos Marinho, donos da Rede Globo.

Esta desigualdade ameaça a paz e a estabilidade social no mundo.? ?No Brasil?,? os três maiores bancos, Itaú, Bradesco, e Santander, lucraram em 2016 mais de 45,5 bilhões de reais. Enquanto isso?,? cerca de 15 milhões de pessoas (homens e mulheres) estão desempregados, e a grande maioria dos empregados recebem o equivalente a um salário mínimo.

Importante dizer que os acionistas destes bancos não pagam imposto de renda. Os lucros de bancos são distribuídos como dividendos e os dividendos foram excluídos, no governo FHC ?(PSDB?)?, ?do pagamento de imposto de renda.

Alguns podem estar perguntando ou cobrando, por que o PT no seu período de governo não passou a cobrar. Simplesmente porque não conseguiu maioria para ?aprovar isso no Congresso Nacional.

O Relatório Mensal sobre a Política Fiscal do Banco Central do Brasil registra que?,? ao longo do mês de fevereiro, o total de juros pagos pelo governo brasileiro atingiu o montante de R$ 30,7 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, a União transferiu ao setor financeiro R$ 388 bilhões? ?(Kliass, P., A ditadura do superávit primário?, disponível em?? http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/A-ditadura-do-superavit-primario/7/37916).

O capital financeiro deseja a destruição dos Estados-Nação. Para o capital?,? é importante o não-Estado, onde não haja regras (Constituição e Leis). Assim?,? pode atuar com liberdade total, impondo suas regras, entre elas a da superexploração do trabalho, por isso a destruição dos direitos trabalhistas e previdenciários.

?Por tudo isso devemos dizer não ?às? ?‘reforma?s”? trabalhista e previdenciária.

*Por Dr. Rosinha –  Médico, com especialização em Pediatria, Saúde Pública e Medicina do Trabalho, destacou-se como líder sindical antes de se eleger vereador, deputado estadual e deputado federal. Também foi presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul). Exerce o quarto mandato na Câmara dos Deputados, pelo PT do Paraná.

-- Publicidade --

Comentários no Facebook