
*Por Fábio de Alcântara
Há dias em que o tempo parece suspender-se num silêncio reverente. Hoje, o Tocantins inteiro, em especial o povo do Bico do Papagaio, recolhe-se consternado diante da notícia do passamento do senhor Antônio Cayres de Almeida, prefeito de Augustinópolis, pioneiro e uma das mais sólidas lideranças políticas que o Estado já conheceu. Com sua partida, não se perde apenas um gestor público; perde-se um símbolo — um elo vivo entre a origem e o destino de uma terra construída à base de coragem, fé e trabalho.
Antônio Cayres foi homem de múltiplos serviços à sua cidade, alguém que transformou a função pública numa forma de devoção. Desde o primeiro mandato, entre 1989 e 1992, passando pelos períodos de 1997 a 2000, 2001 a 2004, 2009, 2017 a 2020 e 2021 até o presente, seu nome tornou-se sinônimo da própria história administrativa e afetiva de Augustinópolis. Ao longo dessas gestões, deixou marcas profundas: ruas abertas onde antes havia poeira e sonho, escolas erguidas com o intuito de formar gerações, pontes físicas e simbólicas ligando o poder público ao coração do povo.
Homem de palavra simples e espírito resoluto, Cayres foi desses raros líderes que preferem agir a discursar. Via na política uma missão, não um privilégio. Caminhava entre os moradores com a mesma naturalidade com que despachava no gabinete — porque, para ele, governar significava estar próximo. Era um político de chão firme, moldado pela convicção de que nenhuma cidade se ergue sem o esforço comum e o respeito aos que nela habitam.
Sua biografia se entrelaça com a própria genealogia política da família Cayres, exemplo de dedicação pública que ultrapassa gerações. Irmão do deputado Amélio Cayres, atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins, e também de Alvimar Cayres, ex-prefeito de Buriti do Tocantins, e de Armindo Cayres de Almeida, ex-prefeito de Sampao; homem igualmente identificado com a vida pública, Antônio compartilhou com seus irmãos um mesmo senso de serviço e apego à terra natal. A política, para os Cayres, sempre foi uma extensão da família — uma tradição que se fortaleceu em laços de confiança e amor à região.
A esposa do prefeito, ex-prefeita de Augustinópolis (2013–2016), seguiu com firmeza o mesmo ideal, dando continuidade ao legado que ambos construíram ombro a ombro. Juntos, transformaram a liderança política em partilha familiar, uma parceria em prol do bem coletivo. Seus filhos, Marcos Antônio Cayres e Vinícius Cayres, e os netos que o sucedem, herdam não apenas um nome de peso, mas uma missão: conservar viva a chama do compromisso e da generosidade que norteou o patriarca.
Hoje, Augustinópolis amanhece órfã, mas orgulhosa. A cidade que ele ajudou a fundar e conduziu por tantas vezes se curva em gratidão diante de seu maior benfeitor. O lamento que percorre suas ruas é o som da saudade, mas também da reverência. Porque há homens que, ao partirem, não levam consigo o que construíram — deixam tudo entre nós, impregnado no solo, nos gestos, nos exemplos. O nome Antônio Cayres de Almeida permanecerá como um capítulo essencial da história tocantinense, símbolo de persistência, humildade e amor à terra. Que o seu legado ilumine as novas gerações e inspire os que hoje se propõem a servir ao povo com a mesma integridade que ele demonstrou toda uma vida.
Fábio de Alcântara, advogado
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