
*Por Angelo Cavalcante
Um diz que duas horas para o almoço é muito tempo… Mas por que trabalhadores se utilizam de tanto tempo para um almoço simplório?
Tem outro que estranha dos motivos desses mesmos trabalhadores irem tanto ao banheiro; aliás, por que disponibilizar sabonete líquido? Papel higiênico? Espelhos nesses recintos? Isso, ora, ora, gera dispersão, desconexão e distanciamento dos específicos e correlatos ato e local do trabalho.
Já há aberta reclamação sobre seis meses acerca da licença-maternidade! Como assim? Tanto tempo é, de fato, necessário? Quem paga isso? Quem custeia esse “privilégio”?
Não por menos, a bancada do Partido Liberal já pede vistas no projeto e que expande a licença maternidade e, por conseguinte, a licença paternidade.
Por sinal, veio da superlativamente reacionária deputada federal Bia Kicis (PL/DF) o pedido de integral verificação do projeto do governo federal e que estabelece a escala 5×2; a parlamentar, reparem bem, entende que um dia sem trabalhar prejudica a dinâmica da produção, os fluxos do trabalho e, claro, as médias nas taxas de lucros do patronato. Mesmo sabendo e considerando que, por exemplo, toda a Europa Ocidental, em alguma medida, já tenha revisto todas as suas escalas de trabalho, que os Estados Unidos e a maior parte de suas unidades federadas também tenham modificado suas penosas escalas de trabalho.
Não é benevolência, piedade ou caridade… É conta, é econometria de ponta a ponta… Já está verificado que respirar faz bem, que se alimentar sem pressa, sem agonias faz muito bem para os dentes, para a pele e para esse sangue escasso e que chamamos de paciência.
Analistas empresariais e o mainstrean das reengenharias administrativas já identificaram que escalas menores, surpreendente e contraditoriamente, ampliam a produção, a presença dos trabalhadores nas lidas do trabalho e reduz significativamente o absenteísmo, as ausências. Mais… A apresentação de atestados médicos cai significativamente.
A Alemanha fez essa opção!
Em Berlim, empresas e governo começaram ensaiando essa possibilidade. A regra principal era que a produtividade não poderia cair; em seguida, vieram ajustes onde partes importantes das empresas foram informatizadas e automatizadas; reuniões e outros procedimentos desnecessários foram extintos e o resultado… Mais produção, pertencimento e um ambiente de trabalho bem menos conflitivo.
As elites brasileiras, essas “sinhas solteironas do baile” e sempre em busca de um frutuoso matrimônio, com falsos e amarelos risos de candura e no seu enraizado ódio aos trabalhadores, ódio que, claro, deita e aprofunda raízes desde as ocas e malocas indígenas, nas senzalas onde pretos valiam menos que o esterco de cabras e galinhas, no trabalho feminino e sempre seguido de abuso, assédio e de sub-remunerações e, óbvio, no esculacho diário de jovens da periferia e que percebem os menores e mais irrisórios salários do MercoSul… Essas mesmas e mesmíssimas elites insistem que não estamos no mundo, que a tecnologia é apenas um discurso e que racionalização produtiva não envolve a alteração da nossa colonial e pré-moderna escala 6×1.
É bárbaro!
Não há, é impossível que haja elite nacional pior, mais destrutiva e mais degenerada do que a brasileira…
A 5×2 é o descanso que o negro fugitivo encontrou em sua marcha noturna até o ideal do seu quilombo de justiça, comida e irmãos.
Que se faça luz!
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Voz do Bico. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para vozdobico@uol.com.br