Voz do Bico

O dever e o direito de votar para construir o Brasil que merecemos

Os eleitores só poderão entrar nos locais de votação se estiverem usando máscaras faciais - Antonio Augusto/Ascom/TSE

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Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

*Por Artur Marques

Nas eleições de outubro próximo, independentemente da possibilidade de justificar a ausência e de anular ou votar em branco, é fundamental que os cerca de 156 milhões de eleitores brasileiros compareçam às urnas e exercitem com absoluta consciência o direito e o dever cívico de escolher seus representantes no Executivo e no Legislativo da União e dos Estados. Quanto maiores forem os números de votos válidos e a presença nas seções eleitorais, mais forte e expressiva será a influência da população nos destinos do País.

A democracia se fortalece quando as pessoas participam, escolhem e fazem valer sua voz. Por isso, considero fundamental que cada eleitor reflita antes de apertar a tecla “confirma”. Não se trata de defender qualquer partido ou manifestar preferências ideológicas, mas sim de compreender que toda escolha tem consequências concretas. O resultado das urnas não fica restrito aos discursos de campanha, aos debates políticos ou aos gabinetes dos eleitos. Ele chega à nossa porta, à escola dos nossos filhos, ao hospital que nos atende, à Previdência que nos ampara, aos serviços de segurança e às políticas de promoção social.

É nesse ponto que a eleição precisa ser compreendida também sob a perspectiva da qualidade dos serviços públicos. As decisões tomadas pelos governantes estabelecem prioridades, definem investimentos, estruturam programas e influenciam diretamente a capacidade do Estado de atender às necessidades da população. Escolher bem, portanto, é também pensar no tipo de atendimento que queremos receber e proporcionar à sociedade.

Cabe lembrar que serviços públicos de qualidade dependem muito de servidores preparados, valorizados e dotados de condições adequadas para exercer suas funções. São esses profissionais que realizam na prática as políticas públicas, transformam decisões administrativas em atendimento efetivo e fazem o Estado chegar ao cidadão. Na saúde, na educação, na Previdência, na segurança, na assistência e em tantas outras áreas, são eles que estão na linha de frente.

Valorizar o servidor público significa reconhecer que uma administração eficiente depende de pessoas capacitadas, motivadas e dotadas dos recursos necessários para trabalhar. Nenhuma política pública sustenta-se apenas no papel. É preciso haver gente capacitada para executá-la, estruturas para fazê-la funcionar e gestão capaz de avaliar resultados e corrigir caminhos.

Também por isso, é fundamental separar a administração pública das disputas político-partidárias. Independentemente do matiz ideológico ou partidário de quem vencer as eleições, não pode haver interferência política no atendimento prestado à população. O cidadão que procura uma escola pública, um hospital, uma unidade previdenciária, um serviço de assistência ou qualquer repartição do Estado não pode ser tratado de acordo com suas convicções políticas. Ele tem direitos e o Estado tem deveres!

Eficácia, respeito, bom atendimento e qualidade do setor público não têm ideologia. A despeito de quem governa, as crianças precisam de boas escolas; os enfermos necessitam de atendimento digno e de excelência; os aposentados devem ter seus direitos respeitados; as famílias em situação de vulnerabilidade carecem de proteção social; e todo cidadão que procura uma repartição pública tem direito a um serviço eficiente. O propósito é cumprir bem o dever do Estado de servir à população.

É justamente por isso que não podemos olhar para as eleições como algo distante de nossa vida cotidiana. Cada voto contribui para definir quem administrará recursos públicos, estabelecerá prioridades, formulará políticas e escolherá os caminhos que poderão melhorar ou piorar a qualidade da vida dos brasileiros.

Votar conscientemente exige informação, reflexão e responsabilidade. Significa conhecer propostas, avaliar trajetórias, comparar compromissos e, sobretudo, compreender que democracia não termina no momento em que depositamos nosso voto na urna, pois não é apenas representativa, mas também participativa. Ou seja, deve manifestar-se na cobrança, na fiscalização, na mobilização cívica e na defesa permanente do interesse público.

Em outubro, cada brasileiro terá novamente a oportunidade de exercer esse direito. Que ninguém abra mão dele por comodidade, descrença ou convicção de que sua participação individual pouco representa. Em uma democracia, todo voto vale muito. Votar, mais do que escolher candidatos, é definir prioridades, valores e o Brasil que queremos e podemos ter. É decidir se queremos ser sujeitos passivos ou um povo capaz de escrever com autonomia sua própria História.

 *Artur Marques é o presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP)

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