Voz do Bico

O enigma do real

Foto: Chen/ Pixabay

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Foto: Arquivo pessoal

*Por Angelo Cavalcante

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O que não pode ser que
Não é o que não pode ser
Que não é o que
O quê?
O quê?
O quê?
O quê?

(O quê – Titãs)
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Esse estranho e confuso tempo de muito – MUITO – negacionismo fez de vacinas eficazes – nos lembramos bem – venenos fatais!

Procedimentos banais e rotineiros como, por exemplo, lavar as mãos, utilizar lenços ou não tossir sobre pessoas virou piada, chacota, gaiatice.

Como nos diz a máxima de Juca Pirama: “Meninos, eu vi…”.

O resultado, em seu automático e esperado, veio em forma de genocídio de milhares de brasileiros!

A contabilidade oficial e de morte por covid-19 nos fala de algo como setecentos mil defuntos gerados e produzidos; a boca silenciosa e rebelde do “povão” nos diz sem meias palavras de que é muito mais…

Ocorre que foi peleja dura, exigente e resiliente pela vida, por vacinas e contra o negacionismo!

No entanto e muito infelizmente, o pior nos aconteceu e o negacionismo como “habitus”, cultura de direita e estratégia política emergiu do lodo e do pântano da política extrema e arriscosa do bolsonarismo para reinar, viver dentre nós.

Seus efeitos, ainda hoje, fluem, escorrem, deságuam e descambam em torrentes sobre os brasileiros.

Espiem mesmo… A escumalha humana depredou, imolou, destruiu, arrasou, maltratou e humilhou o triunvirato do poder central do país mas não… Seus feitores e algozes “não são terroristas”, são, talvez e quem sabe, semeadores de jardins e que operam seu lírico ofício com harpas e flautas medievais.

Foram para a Esplanada para, talvez, despejar toneladas de sementes de cravos, hortênsias ou tulipas.

Ora, ora…

…Esses mesmos “semeadores” já destruíram abertamente quatro torres de alta tensão país afora mas… Não… Nada disso… Fora apenas acidente!

Desde o infame “08 de janeiro” e que constrangeu o Brasil ante ao mundo, não há dia santo em que os fascistas brasileiros não aprontem algo ou alguma; uma manifestação aqui, outro comboio para Brasília, um ensaio para o retorno aos acampamentos em quartéis, vias e praças públicas; agressões físicas contra jornalistas, gravações cotidianas e diárias de vídeos ameaçando juízes, ministros e políticos de esquerda com a morte e enfim, o ódio e sua teima fizeram reinado nessa gleba continental.

Mas tudo na “democracia”!

Senadores e deputados federais de direita e ultradireita não se acanham um fiapo em saudar e homenagear nosso fascismo tropical quando afirmam peremptoriamente que “é claro que foram atos democráticos”; que ” SIM “, o recém empossado, incompleto e eivado de lacunas, Lula III, sabia de absolutamente tudo; bem mais, Lula tramou, arquitetou e acionou o constrangedor e aviltante terrorismo de Brasília.

Negacionismo é isso!

Sua força e potência se revelam vigorosos e vitaminados quando sobem no púlpito do Congresso Nacional e, zombeteiro, faz “outro terrorismo”. Dessa vez, sob a perspectiva simbólica, discursiva e comunicacional.

Inacreditável!

O que é não é; o que não é passa a ser! Fatos objetivos e concretos nada dizem… Um grupo de lunáticos, odientos e carregados das piores intenções espalham mentiras de todo o tamanho, peso, cheiro e dimensão e dizem que isso é “liberdade de expressão”.

Um pastor conclama por armas; a protestante chora! A fiel fala em línguas, o obreiro ergue os braços, faz suas preces e pede “pelo amor de Deus” por golpe militar.

No campo, os “agros” avaliam o que fora feito; na surdina afirmam da importância da continuidade dos “atos democráticos” porque Lula não pode governar; o estudante imagina uma pesquisa, o professor ensaia um texto; o trote ligeiro dos acontecimentos não admite pensamento, teoria, elaboração.

É preciso agir!

É nessa espuma, nessa bruma, nesse nevoeiro espesso que temos que fazer politica, sobretudo, “gauche”.

Enquanto isso, os “semeadores” anunciam docemente, sempre mansos, emotivos e tenros; em bom nome de Deus, da Pátria e da Família…

… Sofrimento, morte e dor para 200 milhões de brasileiros!

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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