
*Por Angelo Cavalcante
Todos vimos…
A participação de Ronaldo Caiado , o surpreendente candidato ao Governo do Brasil, na bancada do Jornal Nacional, onde fora sabatinado/moído pelos jornalistas Renata Vasconcelos e César Tralli, foi uma completa e integral nulidade.
Caiado mostrou, provou e demonstrou que, em definitivo, não sabe de previdência pública, de reformas estruturais e necessárias, de desigualdades regionais, de trabalho, de nordeste, de biomas e tampouco, da gravidade explosiva da experiência urbana brasileira.
Performático, teatral e panorâmico, o presidenciável foi absolutamente incapaz de enredar qualquer frase ou argumento com o mínimo, com o essencial de alguma profundidade.
O prego último e derradeiro no caixão de sua candidatura se deu, por fim, quando tratou da anistia aos bandidos, criminosos e depredadores do infame “08 de janeiro”.
Ora… Aquele seu estilo, seu gestual, sua prosódia de nuança gutural, interiorana e que oscila, que pendula entre a lembrança de uma ruminância bovina e o caipirismo puro e simples ao se defrontar com as primeiras luzes dos prédios da capital Goiânia e combinada ao novo e desajustado figurino que Caiado, por fim, busca adotar de pacifista de última hora foi o estrambolico da sua inválida, manca e caolha entrevista.
Caiado pacifista?
Mas isso é tão absurdo, impensado e nonsense quanto seu compromisso com algum fiapo, algum lampejo ou facho de efetiva democracia!
Nem vou me aprofundar no legado e que a oligarquia dos Caiado, por séculos, arranja por Goiás; na sua fissura incomensurável por concentrar terras no sangue, na bala e na fraude; no golpismo de longa e velha cepa e que por, pelo menos, cem anos, fez de Goiás, um sangrento campo de batalhas.
Pulemos esse largo e imenso capítulo…
Caiado, o “pacifista”, é dos pais da União Democrática Ruralista (UDR), um cartel, um conclave de latifundiários e que se aprimorou em fazer lobby no Congresso, principalmente, nos debates e deliberações sobre a democratização da terra neste país e que, não por menos, possui das piores e mais degeneradas concentrações de terras do mundo.
A UDR, além de matar padres, advogados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), indígenas, camponeses e lutadores sociais em série e em escala, possuía expertise, sobretudo, a partir da segunda metade dos anos de 1980, em pressionar e emparedar parlamentares em favor das causas e interesses do latifúndio brasileiro nos debates e embates da Constituição de 1988.
Ronaldo Caiado, sem sombra de dúvidas, era dos seus principais e mais destacados nomes.
No cumprimento de cinco mandatos como deputado federal jamais emplacou um único projeto para modernizar o campo brasileiro; talvez uma linha de financiamento para pequenos produtores; quem sabe, um conceito novo para a saúde dos trabalhadores do campo; de repente, um monitoramento público acerca dos dilúvios de agrotóxicos e que são despejados nos solos do Brasil… NADA !
Não há, jamais houve um representante temático tão improdutivo, apático e distante quanto Caiado.
Será, no entanto, em sua eleição para o Senado Federal, sobretudo, na quadra e que marcou o golpismo contra a Presidente Dilma Roussef que Caiado rasga sua modorrenta fantasia de democrata e sem vacilos ou reticências, se lança em favor de um impeachment fraudulento, forjado e absolutamente criminoso.
Isso mesmo… A base e a substância jurídica que destituiu Dilma Roussef não move, não mexe com uma folha seca.
Enfim… Me causa espécie e repulsa assistir a um Caiado absolutamente mentiroso, dissimulado e posando de pacifista; é como se fora alguém interessado em algum tipo de unidade ou integração nacional.
Fala sério!
Isso nem é mais demagogia; é das mais grotescas e bizarras manifestações do pleno declínio de um ser, de uma figura pública.
Ao fim, o histórico de Ronaldo Caiado mostra, detalhe a detalhe, que seu compromisso com a paz, a unidade e a concórdia dos brasileiros com os mesmos brasileiros é absolutamente inexistente.
Sua defesa dos terroristas e golpistas do “08 de janeiro” é o “noves fora” do que estou a defender.
Reconciliação e alguma paz é justiça, é pena cumprida e a mais resoluta e definitiva defesa da democracia e dos seus institutos.
E fim!
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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