*Por Marcos Milhomens
Amastha perdeu as eleições por um conjunto de fatores. Alguns, obviamente, mais determinantes do que os outros.
O ex-Prefeito de Palmas cometeu não só um, mas uma sucessão de erros crassos no decorrer da curta campanha da eleição suplementar.
Há, no mínimo, uma dezena deles, mas destacarei os três mais “gritantes” por assim dizer, que o ímpeto lascivo, o desejo exagerado ou simplesmento o ego do candidato derrotado cometeu.
Erro 1
A coordenação “bateu cabeça” desde o primeiro dia de campanha. Montou-se um pequeno núcleo de meia duzia de “intocáveis” que simplesmente não deixaram o candidato chegar até as verdadeiras lideranças do interior. Fizeram uma campanha do PSB, não do candidato em si e partidos aliados.
Existia muito apoio voluntário à candidatura do Amastha, mas este “sentimento” foi se perdendo devido às constantes tentativas sem sucesso de se aproximar do candidato, a terrível falta de comunicação entre membros da coordenação e o comportamento absolutamente evasivo com lideranças de várias cidades de interior. Testemunhei pessoalmente este tipo de atitude diversas vezes, o que sempre achei inaceitável.
A construção da composição do Vice também foi um erro original. Não consultaram as bases e aliados políticos da região de Araguaína, impuseram goela abaixo um partido em litígio e um nome que não teve poder de aglutinar lideranças. Aliás, nunca o teve. Tudo em nome do tempo de televisão, que depois se mostrou dramaticamente ineficaz.
Erro 2
A política é algo muitíssimo valioso e insubstituível. O processo eleitoral personificado nas eleições retrata a essência plena do espírito democrático.
Amastha errou quando substituiu a política pelo marketing. As peças publicitárias de sua campanha foram inegavelmente bem construídas, mas sem “alma” sem “sentimento”. Desconsiderando elementos cruciais relativos à política, ao debate político. Às lideranças políticas. Apenas uma intoxicação de verbetes demagógicas que não conveceram a ninguém. Ao contrário, soou meio arrogante, meio prepotente. Como se o candidato fosse o dono absoluto da verdade. O salvador da pátria. O Messias do cerrado com sotaque.
A pior forma de perder é quando se tem convicção de que já ganhou.
Erro 3
Com o indeferimento do registro de sua candidatura, Amastha poderia ter recuado. Poderia ter trocado de candidato. Poderia ter consultado as bases se continuaria ou deixaria para outubro, enfim, algumas opções existiam. Mas não fez nem uma coisa, nem outra. Desconsiderou tudo isto e quis passar a ideia de normalidade. De que a judicialização da campanha estava sob seu controle e que mesmo com a decisão do TSE , de deferir todas as candidaturas, aos 45 do segundo tempo, não lhe traria dano. Mais uma vez errou. Errou por que esqueceu que o Tocantins viveu o constrangimento de ter seus últimos processos eleitorais judicializados. Governador cassado que voltou ao cargo por força de liminar, depois caiu novamente, uma insegurança jurídica terrível.
A decisão do TRE-TO de indeferir sua candidatura foi simplesmente devastadora, tanto para militância, partidos aliados, quanto para o voto indeciso. Já é da cultura popular, ninguém quer “jogar o voto fora” e desconsiderou as abstenções, que também já eram previstas.
O erro estratégico de asssimilar esta decisão do TRE, partir para um possível plano B e colocar os aliados na jogada, o que definitamente não aconteceu, também se mostrou mais forte do que se pensara.
Por fim, antagonicamente às primeiras pesquisas que o apontavam como vencedor das eleições, Amastha perdeu.
Perdeu pra si mesmo. E perder pra si mesmo é sempre a pior derrota.
Marcos Milhomens, é comentarias político
