Voz do Bico

Quando Keynes visitou Lula

Os presidentes do Senado Federal em exercício, Veneziano Vital do Rêgo,da República, Luiz Inácio Lula da Silva, se reúnem para apresentação do decreto legislativo (PDL 1/2023) – votado pela Câmara e o Senado – que aprovou a intervenção federal na área de segurança pública do DF até 31 de janeiro ano. - Foto: Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Foto: Arquivo pessoal

*Por Angelo Cavalcante

A Americanas surgiu em 1929. Sua primeira loja foi aberta precisamente na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.

O nome “Americanas” não é casualidade!

Foram três sócios americanos e um austríaco – Glen Matson, James Marshall, Batson Borger (americanos) e Max Landesmann (austríaco) – que tiveram a iniciativa de abrir seu comércio, em princípio, na Argentina – Buenos Aires – e não no Brasil.

Foi um sucesso!

Mesmo no final de 1929 a empresa já possuía quatro novas lojas.

A idéia, a “sacada” do negócio; melhor dizendo, do seu bom e oportuno marketing à época, era o bordão “menos de 2 mil réis”… Inspirado em estratégia exitosa do comércio varejista dos Estados Unidos.

Atualmente, a Americanas possui mais de 1.700 lojas e espalhadas por todo o país além de operar com várias plataformas de comércio eletrônico como a ShopTime e a Submarino.

Seu “crash” público se deu precisamente no dia 11 de janeiro desse ano quando analistas contábeis identificaram inconsistências graves em seus registros e balanços e que chegavam a vinte bilhões de reais.

No aprofundamento das análises, em verificação mais detida e sincera percebeu-se que a coisa era bem pior… E a empresa registrava rombos e negativos comprovados e mensurados que tilintavam na gigantesca cifra de quarenta bilhões de reais.

Em outros termos, a empresa deve e deve muito… Deve desde bancos como Bradesco, Santander e Banco do Brasil passando por empresas alimentícias como a Nestlé e sites como o Facebook.

Para maiores informações, verificar na 4a. Vara Empresarial do Rio de Janeiro com seu já protocolado calhamaço de quase oito mil credores e que, receosos e incrédulos, estão a ver navios na espera por seus respectivos pagamentos.

Bom… É pedra gritada e cantada desde os anos de 1920/1930 quando o economista bretão John Maynard Keynes afirmou categoricamente que “o mercado deixado a própria sorte não caminha para nenhum tipo de equilíbrio. Ao contrário…”.

O enunciado de Lorde Keynes se fez matéria viva e concreta e habitou dentre nós!

Não tem jeito… A Escola Regulacionista dos franceses vai decodificar que a “Era de Ouro” do capitalismo (1945 – 1973), período com muito crescimento econômico, estabilidade e elevados níveis de produtividade fora justamente o resultado combinado, sobretudo, de investimentos públicos e muito – MUITO – monitoramento, regramento, fiscalização e “olho” nos grandes do capital.

Sem isso… O crescimento de então, teria feito água turva em seus três primeiros anos.

Nem sei dizer mas, penso eu, que há algo de muito errado com o ensino da Economia.

Como… Me digam…

…Como três malandros ricos, sem nenhum compromisso com o desenvolvimento da Pátria, envolvidos com golpes e sabotagens da economia nacional, uma gente que odeia – ODEIA – o povo brasileiro; moradores finos e requintados nas altas e elaboradas quadras de Genebra, no lindo país suíço ou em outra destacada altura europeia dão as cartas, sem regulações, mediações ou controles mínimos, nessa que é das maiores redes de varejo da América Latina?

Não era a esfera pública o ventre de todos os males do mundo da economia? Estamos a ver as narrativas e discursos de liberais de todo o planeta derreterem a olhos nus.

Algum consolo para nós, os caboclos dessa terra, é que Lula é presidente do país e está vendo o que se passa!

História é TUDO!!

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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