O augustinopolino Eduardo Sousa de Oliveira, 23 anos, é vegano há quase dois anos e contou um pouco sobre como tem sido sua experiência com esse estilo de vida no qual os praticantes deixam de usar produtos de origem animal, evitando que os animais passem por situações de estresse ou qualquer outro tipo de sofrimento. Veja na entrevista abaixo.
Voz do Bico – Para começar, qual é a essência do veganismo?
Eduardo Sousa – É um estilo de vida em que você busca evitar exploração e crueldade animal, mas cada pessoa vai fazer isso dentro do que é possível para ela, sem se cobrar. A partir daí, é uma libertação. Muitos dizem que o veganismo é radical… Eu não acho que ele é radical a partir do momento em que você o entende.
VB – Por que você decidiu se tornar vegano?
ES – Desde pequeno, eu sempre fui muito apaixonado pelo meio ambiente, pela natureza, pelos animais, tanto que eu falava para os meus pais que queria ser ambientalista. Depois de um tempo amadurecendo e assistindo documentários sobre o assunto, eu percebi que gostava dos animais, não os amava. Amar, para mim, é respeitar e se importar. Como eu me alimentava deles, estava infringindo aquilo em que acreditava.
VB – Como foi o processo de transição para o veganismo?
ES – Primeiro eu parei de comer carne, depois de um tempo deixei também ovos e laticínios. No começo eu ficava confuso porque não sabia o que poderia usar para suprir os nutrientes de que precisava. Nisso eu procurei uma nutricionista, fiz exames e comecei a me alimentar conforme o meu corpo precisava. Depois assisti os documentários Dominion e Cowspiracy, que falam sobre o consumo de carne e o impacto ambiental que isso gera. Através deles eu consegui me conscientizar ainda mais, aí cortei também ovos e laticínios.
VB – Você considera que é mais difícil ser vegano em cidades pequenas, como Augustinópolis? Tem encontrado produtos veganos com facilidade?
ES – Hoje não vejo tanta dificuldade em se tornar vegano em Augustinópolis porque todas as transformações que ocorrem na vida da gente são questão de adaptação. A partir do momento em que você consegue se adaptar a determinado tipo de vida, aquilo vai se tornando mais prazeroso e fácil. As dificuldades que eu vejo são de acesso a locais que possuem comidas veganas, que aqui praticamente não tem, vejo apenas opções vegetarianas. Mas eu encontro bastante produtos veganos de higiene pessoal e, basicamente, tudo de que preciso encontro em hortifrutis e supermercados.
VB – Quais efeitos o novo estilo de vida trouxe para sua saúde?
ES – Eu perdi bastante peso. Estava bem acima do meu peso e perdi quase 20 quilos, consegui diminuir os níveis de açúcar no meu sangue… Melhorei minha disposição e meus níveis de aptidão física e mental… Meu humor melhorou cem por cento e o colesterol também acabou baixando.
VB – Uma preocupação frequente é com relação aos nutrientes que a maioria dos brasileiros consome de origem animal, principalmente… Como acontece a substituição da carne na sua rotina?
ES – O veganismo é muito simples, não é difícil. As substituições dos laticínios e ovos são muito simples e baratas. O leite de soja, por exemplo, é bem mais proteico e possui bem menos calorias que o leite de vaca. E também tem as outras leguminosas, grãos, verduras… Hoje em dia existem várias empresas que produzem carnes à base de plantas. As pessoas se preocupam bastante com a questão das proteínas, sendo que nosso corpo não precisa de uma quantidade excessiva de proteína, então muitos comem mais do que o corpo precisa. E o reino vegetal é rico em proteínas: brócolis, espinafre, soja são extremamente ricos. Todas as vitaminas que o nosso corpo precisa, o reino vegetal pode ofertar.
VB – Como as pessoas do seu círculo de convivência lidam com o seu estilo de vida? Foi sempre assim?
ES – As pessoas me questionavam bastante, achavam que eu iria ficar doente, desenvolver uma anemia, sendo que desde então eu nunca adoeci. Atualmente as pessoas que acompanham a minha rotina aceitam mais, porque percebem que aquilo é prazeroso para mim e me faz bem, fisicamente e emocionalmente.
VB – Qual mensagem você deixa para a comunidade em geral sobre o veganismo?
ES – O veganismo é simples, é amor, é dedicação, e pode ir muito além na vida das pessoas. Você está abrindo as grades do sofrimento que aqueles animais passam até o abate. Nós estamos acostumados com uma cultura em que a nossa alimentação é arroz, feijão e carne, e muitos se sentem reféns e dizem “eu não consigo viver sem carne”. Quando você corta carnes, ovos e laticínios da sua alimentação, você está se libertando de algo que o aprisionava.
(Ionnara Lima – Voz do Bico)
