Voz do Bico

Ricardo Ayres me representa

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Paulo Palmares,63, é editor do portal Voz do Bico. – (Gemini_Generated)

*Por Paulo Palmares

Na madrugada desta quarta-feira (10/12), a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2162/23, decisão que já provoca forte reação no meio político e jurídico. O texto, que reduz penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, tende a entrar para a história como uma das páginas mais constrangedoras do Parlamento brasileiro. Entre os principais beneficiados está o grupo político que tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como referência simbólica.

Do Tocantins, apenas um voto destoou da maioria: o do deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos). Ele divulgou nota pública para explicar sua posição. “Justiça não se faz com vingança, mas também não se constrói democracia com impunidade. Meu compromisso é com a verdade, com a responsabilidade e com o futuro do Brasil. Fiquei ao lado da história, da democracia e do país”, afirmou o parlamentar.

O peso histórico da decisão

O Brasil já viveu múltiplas rupturas institucionais ao longo da República — considerada, ela própria, um golpe. Dependendo do critério adotado pelos historiadores, fala-se entre seis e nove golpes consumados, além de outras tentativas que chegam a cerca de quinze.

Nesse contexto, a responsabilização pelos eventos de 8 de janeiro possui caráter pedagógico. Pela primeira vez, o aparato policial e judicial agiu de maneira célere e coordenada, e o Judiciário exerceu suas funções constitucionais com devido processo legal. Todos os acusados puderam se defender, apresentar provas, ser assistidos por advogados e acompanhar cada etapa do processo — exatamente o oposto do que ocorre em regimes autoritários.

A bancada tocantinense e o dever de memória

Entre os oito deputados federais do Tocantins, sete votaram a favor do PL: Vicentinho Júnior, Carlos Gaguim, Tiago Dimas, Alexandre Guimarães, Eli Borges, Filipe Martins e Antônio Andrade. A decisão os coloca, inevitavelmente, diante de uma reflexão necessária sobre a própria história institucional brasileira.

Não se trata de lição de moral, mas de lembrar que a vida humana é o bem jurídico mais precioso — e que os articuladores do 8 de janeiro, ao atentarem contra o Estado de Direito, demonstraram completo desprezo por esse valor. O Parlamento, que já foi tantas vezes vítima de autoritarismos, deveria ser o primeiro a defender a responsabilização plena de quem buscou subverter a ordem democrática.

Um país que já viu o Congresso ser calado muitas vezes

O Congresso Nacional foi fechado ou dissolvido cerca de 18 vezes ao longo da história. Entre os episódios mais marcantes estão:

Cada um desses momentos deixou cicatrizes profundas. Por isso, a banalização de ataques às instituições — e agora a redução das penas daqueles que atentaram contra elas — preocupa não apenas especialistas, mas qualquer cidadão comprometido com a democracia.

Brinca!!!

PARA LÊ E COMPREENDER

Relatos e Memórias Pessoais

* Paulo Palmares, 63, é morador de Augustinópolis, bacharel em direito e diretor do portal Voz do Bico

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