Voz do Bico

Sobre Classes

2.069
Milne Freitas Souza. – Foto: Arquivo Pessoal

*Por Milne Freitas Souza

Por 388 anos o Brasil teve gente escravizada, começou com os povos originários, indígenas eram forçados a deixarem suas comunidades, seus costumes, suas crenças para trabalharem nos engenhos, na indústria do açúcar, da cachaça e do melado servido nas mesas dos senhores. Vieram milhares de negros da África em porões imundos de navios idem. Como ninguém nasceu para ser escravizado, surgiram várias revoltas, manifestações e insatisfações, entretanto como hoje, a maioria era cega e sem nenhuma consciência do estado em que viviam. Muitos dos revoltosos foram açoitados, humilhados e mortos pelos seus iguais, a mando de outros iguais submissos a seus senhores. Em 1881, jangadeiros cearenses começaram o organizar protestos, greves e mobilizações contra o regime de escravidão em que vivam, por sua vez os escravocratas se articulavam junto aos poderosos tentando manter suas propriedades humanas, desumanizadas. Em função dos protestos populares, o Ceará foi a primeira província Brasileira a abolir a escravidão, 25 de março de 1884, quatro anos antes da Lei Aurea ser aprovada. A imprensa da época, como até hoje mantida nas mãos dos donos do poder, esbravejava: O Ceara vai falir, o Brasil vai quebrar, o crime vai imperar neste país, não podemos permitir liberdade aos negros, afinal compramos, pagamos por esta gente, pensando aqui, quanta insensatez. Nossas conquistas nunca foram ações voluntarias de bons e humanos políticos, sempre resultado da organização do povo brasileiro, através de organização sindical e outras formas de pressão. A consolidação das leis trabalhistas de 1943, as garantias asseguradas pela constituição federal de 1988, todas as nossas conquistas geraram críticas e mentiras absurdas por parte do capital, da imprensa venal e de insanos defensores da opressão das classes superiores.

O fim da escala 6×1 é a bola da vez, o discurso da mesma elite de sempre. Monarquistas, banqueiros, financistas, industriais, donos das grandes redes de supermercados e de farmácias gritam por uma boca só, se concederem este benefício aos trabalhadores brasileiros, as indústrias vão quebrar, os mercados vão fechar, a violência vai aumentar, afinal pobres com dois dias de folga vão inventar “moda” quanta insensatez. Pelo fim escravizante da escala 6×1.

Milne Freitas Souza

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Voz do Bico. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para vozdobico@uol.com.br

Sair da versão mobile