
O dia 20 de novembro não é apenas uma data no calendário; é um marco de profunda reflexão e celebração da resistência e da riqueza cultural do povo negro no Brasil. A data, oficializada como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, remonta à morte de Zumbi dos Palmares em 1695, o líder do maior e mais duradouro quilombo da história do país, o Quilombo dos Palmares.
Ao invés do 13 de maio, que marca a “liberdade concedida” pela Lei Áurea, o 20 de novembro, resgatado pelo Movimento Negro Unificado (MNU) na década de 1970, simboliza a luta autônoma e o protagonismo do povo negro em busca de sua própria emancipação e dignidade.
O Legado Cultural: Pilar da Identidade Nacional
A influência negra é um dos pilares inegáveis da identidade brasileira, atravessando a sociedade em suas mais diversas manifestações:
Crescimento e Construção: A mão de obra negra, escravizada por séculos, foi a força motriz que construiu a riqueza econômica inicial do Brasil, desde a produção açucareira até a mineração. Essa contribuição fundamental sustenta até hoje a base social e econômica do país.
Música: Do batuque dos atabaques e berimbaus nas rodas de capoeira e nos terreiros, nasceram ritmos que definem o Brasil, como o samba, o maracatu, o jongo, o maxixe e o axé. Artistas negros são ícones que contam a história do país em melodia.
Culinária: O paladar brasileiro é profundamente moldado pela culinária de matriz africana, presente em pratos como a feijoada, o acarajé, o vatapá, o dendê e o leite de coco, que enriquecem a mesa nacional.
Cultura e Religião: O Candomblé e a Umbanda são expressões de religiosidade que preservam a cosmologia e a espiritualidade africanas no país. Expressões como a capoeira, o afoxé e a importância de figuras históricas como Dandara dos Palmares representam a persistência da memória e da ancestralidade.
A Diversidade Negra e a Presença no Tocantins
A diversidade da população negra no Brasil se reflete em todas as regiões, e o Tocantins é um exemplo vívido. Com uma população em que negros e pardos representam uma parcela significativa (cerca de 70% segundo o IBGE), o estado pulsa com a cultura afro-brasileira.
Comunidades Quilombolas: O Tocantins abriga dezenas de comunidades quilombolas reconhecidas, como as de Monte do Carmo e Natividade, que são verdadeiros centros de preservação cultural e resistência territorial.
Manifestações Culturais: Em Palmas e outras cidades, a Capoeira e as expressões de matriz africana, como o Terecô e a Umbanda, são fortes. Festas tradicionais, como as Taieiras e a Suça (dança típica com forte influência africana), mantêm vivas as reminiscências africanas, demonstrando o hibridismo cultural.
Afroturismo: O estado tem um grande potencial para o Afroturismo, valorizando a cultura negra, priorizando fornecedores negros e promovendo a visibilidade e o acolhimento para viajantes negros.
O 20 de novembro é um chamado urgente para reconhecer que o Brasil foi forjado na luta e na contribuição irrefutável do povo negro, e para que toda a sociedade reflita sobre o racismo estrutural e trabalhe ativamente pela equidade racial e o pleno reconhecimento da cidadania.
(Redação Voz do Bico, Fonte: Gemini)